Parte 1
Estamos vivendo tempos em que valores corrompidos têm se inserido na igreja, camuflados como sentimentos nobres ou naturais do ser humano. Nasce o desafio, muito mais que a necessidade, de que a nova geração cristã revele um pensamento crítico, consistente e, principalmente, transformador. Muitos dos pensamentos colocados por algumas igrejas em relação a temas como namoro, sexualidade e amor, são omissos ou estão carregados de medo, do desejo de controlar, de evitar constrangimentos e não de convicções ou compreensões seguras e embasadas sobre tais questões.
Nesse sentido, percebemos a possibilidade de refletirmos um pouco sobre os princípios e valores que envolvem um relacionamento de namoro ou o compromisso entre um rapaz e uma moça na intenção de um casamento, seja qual for o nome que cada igreja ou cultura dá a esse relacionamento.
Ao entendermos os princípios, temos que compreender que a Bíblia nos diz que a Lei nos foi dada como uma sombra ou exemplo de coisas reais, plenas e verdadeiras que viriam em Cristo. Assim , o evangelho não é constituído de leis e regras, mas de princípios e valores. Um princípio não é uma regra fechada, estática e limitada, mas sim um conceito que nos instrui a observarmos cada situação de uma forma exclusiva, avaliando outros princípios como a motivação, o propósito de cada atitude, entre outros.
Usaremos como exemplo um versículo da Bíblia que confunde muitos dos cristãos que buscam nas escrituras uma coletânea de regras e leis. Esse versículo está em I Coríntios 10:23: “todas as coisas são lícitas, mas nem todas me convém; todas as coisas são lícitas, mas nem todas edificam.”
A grande questão agora é sabermos o que é e o que não é lícito, correto, permitido. Se todas as coisas são lícitas, como saber quando elas não edificam ou convém? Essa pergunta não se responde com argumentos simples ou regras estáticas como: não faça isso, não faça aquilo etc. Paulo inclusive critica esse evangelho em Colossenses, nos questionando o porque de nos submetermos às ordenanças e tradições como “não toques, não proves, não manuseies” sendo que morremos com Cristo.
Para entendermos o versículo 23 de I Cor. 10 é necessário recorrermos a um princípio que está no versículo seguinte: “Ninguém busque o proveito próprio
antes cada um o que é de outrem”.
Aqui está o princípio que nos revela o que não edifica ou convém: tudo o que fazemos para o nosso proveito ou próprio interesse. Então, se entendermos este princípio e o levarmos para os nossos relacionamentos, com certeza não necessitaremos de regras ou leis para impedir as pessoas de serem feridas, usadas, abusadas ou enganadas.
A própria idéia de pecado não se resume no que podemos ou não fazer. Em Gálatas, no cap. 5 e versículo 14, Paulo nos diz que a lei se resume em um só princípio que é amar ao próximo como a ti mesmo. E em Romanos 13:8-10, o apóstolo explica como este princípio opera impedindo que o pecado tenha lugar.
Seguindo este entendimento podemos entender porque a atitude de comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, tomada pelo homem, deu origem ao pecado. O problema não foi o desejo de conhecer o bem e o mal, pois o Espírito de Deus nos é revelado como o Espírito do discernimento e só podemos discernir entre duas posições, o bem e o mal. Deus nunca pretendeu criar um homem que fosse alienado das questões do universo. Então, qual foi o pecado de Adão?
A essa pergunta poderíamos dar uma simples resposta: desobedecer a Deus. Porém, quando avaliamos os princípios de sua ação, descobrimos os princípios do pecado. Adão não errou em querer conhecer, mas em buscar algo que lhe faltava, buscar algo que satisfizesse sua carência.
O Diabo enganou ao homem embutindo em seu entendimento a idéia de que lhe faltava alguma coisa. Deus tinha abençoado sua criação e toda tarde se relacionava com o homem para lhe ensinar algo. Porém, o Diabo colocou a idéia de que Deus não tinha lhes dado algo, que algo lhes faltava, que eles estavam carentes, incompletos.
Então, conhecer todas as coisas era o propósito de Deus para o homem, porém é pecado tudo que nós buscamos fazer para suprir nossa compreensão de carência e falta. Tudo que não fazemos por convicção e fé torna-se pecado (Romanos 14:23).
Deus não fez um homem vazio que deveria buscar algo para ser igual a Deus, mas o criou à sua imagem e lhe abençoou dando-lhe toda capacidade necessária para seu desenvolvimento em todas as áreas. Quando o homem descumpriu a vontade de Deus, passou a ser dominado por sua cobiça, desejo carnal, concupiscência da carne. Agora, tudo que o homem faz é para alcançar algo que lhe falta, pois ele está separado de Deus e do Seu amor (Romanos 3:23).
Então, toda vez que eu me relaciono com alguém em busca de satisfazer minhas carências ou necessidades cometo pecado. Muitas pessoas me dizem que estão procurando alguém para lhes tirar da solidão, ou que buscam alguém que lhes entenda, ou lhes ame, ou lhes façam felizes. Esse é o princípio de buscar algo que nos falta, de suprir nossas carências, então esse relacionamento está baseado no mesmo princípio que gerou o pecado.
O problema de um relacionamento baseado na carência é que este vai gerar expectativas e toda vez que isso acontece o resultado é frustração. A frustração não é causada por outra pessoa que falha conosco, isso é uma forma de tirarmos a responsabilidade de nossas costas. A verdade é que se eu me frustrei com alguém é porque o meu relacionamento com aquela pessoa foi baseado em pré-disposições, em interesses, e isso deveria por si só ser considerado errado. Deveria me relacionar não por expectativas, mas por convicções, ou seja, não esperando o que aquela pessoa pode fazer por mim, mas entendendo o que eu posso fazer por ela.
Quando Deus decidiu criar o homem, sabia que se criasse um ser livre este iria se rebelar contra seu criador. Porém, o amor de Deus ofereceu sua graça, ofereceu algo que provinha de seu caráter, que é amor. Se Deus, sendo onisciente, sabia de nosso pecado, não nos criou com expectativas, mas providenciou do Seu amor uma atitude que nos transformaria. O Senhor não poderia receber nada do homem. Se o homem lhe oferecesse glória, amor, para Deus não faria diferença, pois Ele é a Glória e o Amor. Então, a única coisa que o homem fez foi ser o canal da expressão, foi ser o objeto do amor de Deus.
Deus não fez o homem para amá-lo, mas fez o homem para amar e esse amor, sendo conhecido pelo homem, gera uma resposta de amor. Eu, conhecendo quem Deus é o que Ele fez, não tenho outra resposta a não ser amar a Deus.
Assim deveria ser nossa decisão de amar. A nossa motivação deveria ser a decisão consciente e plena de amar alguém, sem expectativas de receber algo em troca, mas simplesmente pelo privilégio de amar. Quando decidimos amar, estamos decidindo oferecer algo que Deus nos deu. Uma das características do fruto do Espírito é o amor e a Bíblia diz que o Espírito de Deus nos encheu do Seu amor (Romanos 5:5 e Gálatas 5:22).
Nesse sentido, um cristão não poderia jamais estar em busca de algo que lhe falta. Se na graça o Senhor nos encheu, nos deu da sua própria vida, agora estamos cheios de sua plenitude (Colossenses 2:10).
Então jovem, toda vez que eu tomo uma atitude de amar e nessa busca eu prejudico alguém para me beneficiar ou busco em um relacionamento a resolução de minhas carências o fruto disso será o pecado.
Se você quer procurar um relacionamento porque algo está lhe faltando e não pelo privilégio de amar, você vai pecar. Se entendermos que somos plenos de amor, não teremos outra opção a não ser procurar alguém para ser objeto não de nossas expectativas, mas de nosso amor. Assim, buscaremos não o nosso próprio bem, mas sim o de outro.
Esses princípios no relacionamento respondem a muitas dúvidas como:
- o beijo
Se ao beijar você está gerando um desejo sensual ao qual você, não sendo casado, não poderá suprir, está pecando, pois isso é defraudação.
Se o beijo é só uma expressão de carinho e não está gerando uma carência que só pode ser saciada na cama, então você não está pecando.
- a relação sexual
A relação sexual é um privilégio que Deus nos deu para experimentarmos a intimidade na sua forma mais plena. Mas, o tempo dessa entrega é o casamento.
Quando nos casamos decidimos que aquela será a pessoa que estará ao nosso lado enquanto estivermos vivos. Assim, temos toda a liberdade de conhecermos em plenitude o outro. Fora do casamento estaremos promovendo no outro feridas e o risco de estarem se entregando a alguém que não lhes será o marido ou esposa. Então, fazendo assim, pecamos e as conseqüências são terríveis.
Muitas são as perguntas e se conhecermos os princípios da Palavra poderemos responder a todas, porém vamos aos poucos. Em breve estaremos dando continuidade a este tema. Esteja atento e compartilhe com seus irmãos e, se necessário, mande suas dúvidas através da opção Fale Conosco no site.
RHONE GIULLIAN PSICÓLOGO, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA ESCOLAR COM PROJETOS NA ÁREA DE EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA.
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