Gente, eu não sou um craque da língua portuguesa, defeito tanto meu quanto de anos de escolas brasileiras e professores mal instrumentados, mas consigo me comunicar e aprendi a pensar e a me comunicar com um mínimo de clareza e objetividade.
Essa onda de lançar livros com a intenção de tirar o preconceito linguístico ensinando que “é certo falar diferente do correto na língua culta” é uma decisão muito séria e deve ser discutida mais intensamente na sociedade de forma geral. Se nos aprofundarmos muito nessa ideia vamos chegar logo na ideologia pós-modernista de que não se encontram mais verdades e sim interpretações. Cada um tem sua verdade e deve ser respeitado nela.
Gente, o conhecimento como cultura passada de geração em geração é muito importante e deve ser cultivado sim, a cultura social e sua diversidade de comunicação e expressão são um tesouro que dão sentido e significado à existência de um povo. Mas a identidade linguística e científica também deve ser respeitada e desenvolvida. O conhecimento informal é muito importante, mas o conhecimento no seu aspecto mais científico, cheio de princípios e compreensões, estudadas e questionadas secularmente, não pode ser tão desprezado a ponto de que qualquer Zé Mané apareça com a ideia de que nas instituições educacionais devamos ensinar que o diferente é tão correto quanto o científico.
Gente, ter preconceito é não aceitar, e, verdade seja dita, se aceita o linguajar cultural em todos os lugares, mas na escola é lugar de se ensinar a pensar a construção das ideias científicas e saber falar o que é a identidade de um povo, sua língua. A comunicação perpassa e ultrapassa todos os ambientes, processos, relacionamentos e ter uma identificação clara do que é certo é fundamental e traz consciência da identidade.
Toda a capacidade de pensamento está ligada à linguagem, e esta será a base de todo conhecimento científico e formal, por isso deve ser a primeira a ser instrumento de pesquisa. Todos sabemos que a linguagem é dinâmica, ela muda, se transforma na sua relação histórica, porém, sempre haverá o português correto e o português falado de outra forma, e é esse, o correto e científico, o que deve ser ensinado na escola, as outras formas, a população em geral se incube de ensinar.


