sexta-feira, 29 de abril de 2011

O PRÍNCIPE, a plebéia e A FANTASIA


Alvo da projeção das massas, o casamento real de real só a fantasia.


Quem acordou às 06 da manhã pra ver um espetáculo que de tão antigo se torna novo, se surpreendeu com o misto de simplicidade e exuberância do casamento do neto da Rainha Elizabeth. Exuberância pelas roupas lindas e caras, orquestra e os cavaleiros reais e as festas caríssimas, porém simples na objetividade de palavras simples e participações necessárias no decorrer da cerimônia que não demorou mais do que certos casamentos inventados por muitos plebeus com carência de estrela.

Um evento assim leva muita gente a se projetar no poderoso rapaz que tem um grande poder sem muito esforço de conquista e uma moça que é alvo de admiração e inveja das mais poderosas mulheres do mundo. Gente que não precisa trabalhar, ganha pra aparecer e representar a nação. "Funcionários públicos", no sentido de receberem do estado, pra justamente terem pompa, glamour e nariz empinado. Um casamento que se aparentemente for bem, todos se sentem um pouco representados pela sugerida pureza e compromisso, sublima-se os seus desejos e expurga-se os seus pecados ao olhar pro casamento deles.

Alguns dizem que não há nenhum problema nisso, que uma ligação histórica é importante pra identidade da nação e que os ganhos que uma monarquia que não interfere na democracia, traz mais admiração e respeito popular do que problemas políticos.

O problema maior talvez esteja aqui no Brasil, estamos indignados com os políticos que ganham pra não fazer nada, que não dão um exemplo familiar, que supostamente roubam ou fazem leis e projetos econômicos péssimos, porém na cerimônia de posse da governanta eleita pela situação, admiramos a separada e nada feminina presidenta, a mulher com idade de neta do vice, esquecemos os juros, a inflação, a gasolina e agora o Delúbio. Nada melhor que um grande evento pra memória se perder.

Para os políticos britânicos, esse casamento veio muito a calhar, num momento de crise como o que estão vivenciando ninguém vai deixar de falar do vestido a lá Grace Kelly pra falar dos cortes de gastos nos benefícios públicos, né?

É, passa-se o tempo, os reis, imperadores e governantes continuam ganhando com a velha estratégia: faça espetáculo para as massas e elas vão te amar. Parece que este casamento carrega não só a fantasia dos contos de fadas, mas também nos leva pra o mundo ideológico da fantasia e alienação, ou não. Só espero e desejo que sejam felizes como casal real, no sentido do verdadeiro e não sejam apenas aparência de realeza como o TRÁGICO casal Diana e Charles.

Rhone Giullian, o homem que não tem reino, mas tem uma princesa, te amo Rhariê.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Igreja deve preencher todos os espaços

O desafio do Senhor não é estar em todos os lugares enquanto o onipresente, mas é estar enquanto o Cristo. Talvez você esteja pensando no Jesus que agora foi morto, se tornando o Cristo de Deus, e agora, elevado às alturas poderá estar em todos os lugares. Absolutamente, não é assim que o Cristo tomará todos os espaços.

Paulo na carta aos Efésios fala de forma muito profunda e organizada da igreja, colocando todo o projeto da graça e da salvação com o alvo de constituir o corpo do Cristo. Cristo a partir de sua obra se tornou cabeça de um corpo, que é forte por seus vínculos, pelas juntas e ligaduras, que tem uma consciência da Graça recebida e através da fé entende o fruto dessa graça, boas obras, e agora encara o desafio de manifestar uma nova consciência.

Porém o desafio pra o corpo de Cristo é perceber a grandeza de sua missão. O ide de Mateus 28 parece-nos uma mensagem bem evangelizadora, mas a entendemos só no nível da pregação, porém em Efésios poderemos entender melhor que o desafio da grande comissão é impregnar no tempo e em todos os espaços o Reino de Deus.

Efésios 1:22...

Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância.

Paulo está dizendo que o todo poder e autoridade foi entregue à Cristo e este foi dado como cabeça à igreja para que esta que é seu corpo, cheio da sua plenitude, possa entrar em todos os espaços, ambientes, lugares, entendidos estes em qualquer circunstância, histórica ou cultural.

Aqui temos um desafio de comunicação vivencial, não só de palavras. A igreja santa, onde entra transforma, mas para entrar em todos os espaços em toda e qualquer circunstância, precisa vencer alguma limitações.

Paulo resolve esse problema mais adiante:

Efésios 3:10

“...mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida...”

É somente através da multiforme sabedoria de Deus que a igreja pode comunicar o Reino de Deus. É fugindo do óbvio, do tradicional, ultrapassando a cultura evangelical que a igreja pode invadir todos os espaços.

Deus capacitou sua igreja com espírito de sabedoria e revelação (1:16) e vocacionou como apostólica, no sentido de levar o novo para lugares novos, como profética, no sentido de apontar as direções e discernir caminhos para esse novo, como evangelística, no sentido de publicadora e divulgadora sobrenatural do novo, além de instrutora e liderança como ensino e pastoreio (4:10-13), com o fim de chegarmos a maturidade a medida da plenitude de Cristo. Você consegue imaginar a grandeza ou a medida da plenitude? A plenitude é o todo, por isso levemos “o evangelho todo pra o homem todo”.

Vivemos o tempo em que os espaços foram fechados para a igreja, por isso a multiforme sabedoria dos cristãos deve recoloca-los e reintroduzi-los nos lugares certos com a consciência transformadora, de modo que o evangelho do Reino tome toda a Terra com a Glória do Senhor.

A igreja é você, e em qual espaço e sob qual circunstância o Senhor pode te usar pra implantar o seu Reino? Abra sua mente e nunca mais diga que existe alguma coisa ou lugar que Deus não possa entrar.

Abraço!

Rhone Giullian

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Igreja visível e invisível

O visível é aquilo que pode ser compreendido pelos sentidos. Tato, olfato, paladar, visão e audição. O contado com o visível é apreendido e interpretado pela rede de significações e sentidos humanos, o que faz com que a partir da experiência com o visível tenhamos uma nova experiência subjetiva que nos faz compreender de determinada forma o que os nossos sentidos captam. Então o sentido real das coisas é um absoluto que não compreendemos plenamente, mas vamos nos aproximando cada vez mais do conhecimento pleno a partir de contatos e reflexões constantes.

Esse processo de elaboração subjetiva é que da forma a nossa compreensão do visível, de forma que é invisível a amplitude da compreensão, é invisível a interpretação, mas tudo isso volta a ser visível através da manifestação comportamental de nossa atitude fruto da reflexão produzida.

A igreja brasileira como produto visível de nossa história é discreta e às vezes omissa no decorrer do tempo. Isso se faz verdade porque é discreta e omissa em refletir, em discutir, em questionar, em propor caminhos criativos e transformadores. É discreta e omissa por que não pensa. É expressão passiva da cultura colonial brasileira que valoriza a aristocracia, o poder percebido como imperial, que não pode, a seu ver, ser questionado.

Precisamos compreender a igreja invisível, num processo onde o contraditório não seja evitado, onde a verdade seja absoluta, mas que não a conhecendo no seu absoluto, se aproxima e amplia o olhar, reconhecendo que conhecemos em parte, mas buscamos conhecer assim como é.

Abstrair o multideterminado, complexo e dinâmico movimento do saber, que toma corpo e sentido à medida que encontra uma base, que lhe permite acomodar e se reorganizar como conhecimento estruturado, não em rígidas estruturas, mas em firmes convicções. Certezas que se transformam qualitativamente no desempenho contínuo do diálogo pra ser mais verdade, sem se desfazer na sua identidade, mas que acompanhe as evoluções históricas e continue compreensível. Transformar a igreja subjetiva e expressá-la de forma a ser relevante pra esse tempo.

A igreja invisível pode ser a mais revolucionária, ou a mais antiquada, isso depende da nossa disposição de pensar. A igreja invisível tem que se aproximar da igreja espiritual revelada pelo Espírito Santo, que é dinâmico como o vento sem perder a sua essência. Só assim a igreja real será verdadeira. Que Deus nos guie até ela.

Rhone Giullian

Homossexualidade, identidade e fé.

O assunto da homossexualidade tem sido muito discutido nos últimos dias, principalmente por que é promovido por movimentos muito organizados de defesa do agora chamado terceiro sexo. Mesmo existindo muitos movimentos que não aceitam o destaque da defesa da manifestação aberta do homossexualismo, este tem encontrado muito apoio na mídia, que pode vir de muitas causas que não temos conhecimento pleno pra afirmarmos.

Hoje até escrever qualquer coisa que não seja um apoio explícito da homossexualidade é muito difícil, tem gente até falando sobre uma possível ditadura gay. Bem, nesse sentido perguntamos: nós estamos evoluindo na discussão, ou involuindo? A igreja tem tido uma posição clara e contribuinte do processo de reflexão ou tem tido um posicionamento radical sem fundamento? Nós temos que nos manifestar de alguma forma como gente que pensa os conceitos cristãos ou nos calar diante da pressão que vem de fora?

Quero falar aqui algumas pequenas informações:


1- Antes os psicólogos e psicanalistas viam a homossexualidade como algum tipo de falha no processo elaboração da identidade sexual.

2- Hoje muitos psicólogos têm apoiado a homossexualidade, mas é sabido também que existe certa censura de qualquer posicionamento diferente.

3- Existe um debate que não foi resolvido até hoje, a homossexualidade é inata ou o resultado de uma construção psicológica relacional.

4- Como se avalia a igreja que se posiciona na afirmação de que a prática sexual entre pessoas de mesmo sexo é contrária à vontade do Deus bíblico a dois milênios.

5- A homossexualidade como fenômeno social é algo dos séculos recentes ou é uma expressão comum de todos os tempos.

6- A identidade como é entendida na sua elaboração relacional e em constante transformação, onde alguns autores chegam a dizer que o homem se humaniza no processo de relacional com a cultura, será que se pode falar em homossexualidade inata?

7- Será que não seria melhor conscientizarmos de que a escolha sexual deve ser consciente diante da profunda compreensão de suas determinações e influências.

8- Devemos impedir e forçar as pessoas a não discutirem nos âmbitos religiosos suas reflexões e críticas em relação a qualquer manifestação sexual, como a virgindade antes do casamento, a fidelidade, o planejamento de quantos filhos ter, a revolta diante da pedofilia etc.

9- Um grupo organizado que não apoia uma escolha e se posiciona dentro da lei de forma a questionar deve ser calado.

10- Os homossexuais podem intervir na atividade religiosa impondo crenças e não permitindo o contraditório?

Eu particularmente como fiel não precisaria de nenhuma discussão sobre o que pra Bíblia já é resolvido. Mas como a fé bíblica é resultado do conhecimento, quero cada dia mais pensar e compreender a vida em todos os seus âmbitos. Respeito as pessoas e as veja pra além de suas expressões sexuais, porém tenho uma consciência pessoal e não acredito em nada que impeça a manifestação de pensamento. Por isso respeito as marchas e desfiles gays na suas manifestações, mas também todo posicionamento que, como eu, diz que a homossexualidade é pecado.

Educação de filhos: limites com afetividade

O Brasil é um país que se vale de muitas leis pra tentar educar seus pátrios. O ato de educar bem os filhos está intimamente ligado a posturas e ideias que no Brasil são culturalmente desconsideradas. Temos uma nação extremamente hierárquica, onde os mais fortes tem acesso ao direito e ao domínio e os mais fracos se sujeitam num estranho mais explicável posicionamento de subordinação cega. Na estória recente temos a nossa experiência de dominação militar, uma tentativa criminosa de impedir todo e qualquer questionamento, atitude esta que vira e mexe tende a surgir no meio político em projetos que tentam censurar a imprensa.

Assim nossa cultura é proibir e dominar através de regras que vão se somando numa infinidade de leis que na maioria das vezes nem se cobra. O nosso lema é “proibimos pra depois educarmos”. Quais dos antigos nunca apanharam primeiro pra depois descobrirem que tinham errado em algo que não lhes tinha sido proibido. Percebemos que nas famílias quanto no estado brasileiro, a lei é a assunção da falta de autoridade.

Então como os pais podem se livrar desse “carma” cultural da falta de modelos pra educarem e colocarem limites nos seus filhos de forma afetiva e correta.

Sem a intenção de dar receita de bolo, queremos colocar algumas questões:

Em primeiro lugar priorizar uma organização familiar – A criança precisa de um ambiente estruturado em tudo, horário, responsabilidade compartilhada, e clareza de obrigações e direitos.

Em segundo lugar um clima afetivo onde a escuta é pra além da fala – A criança precisa aprender a se expressar e ser compreendida nas suas demandas.

Em terceiro, tempo de qualidade – Sem tempo de qualidade a criança fica sem modelos afetivos que as orientem. Aceitar limites está muito ligado aos modelos afetivos, quanto mais uma criança respeita, mas ela ama e vice versa.

Em quarto lugar a criança precisa sentir um verdadeiro interesse dos pais por elas – Não se mente bem pra crianças. Nossas atitudes falam mais que mil palavras, se não houver interesse real pela criança ela perceberá e resistirá a qualquer colocação de quem não as respeita.

Os pais precisam vencer o passado e não tentar compensar o seu sofrimento com os pais na criação dos filhos, isso é agir por carências mal resolvidas o que só vai gerar problemas. Então pra alcançar sucesso nesse desafio de educar os filhos, os pais deverão observar alguns pontos como:

- Ambiente Organizado

- Valorização e foco nos acertos e atitude corretiva nos erros

- Disposição de explicar as formas e os porquês

- Presença afetiva

- Limites claros a partir do diálogo em relação às regras

- Participação dos filhos organização e escolhas do lar.

As regras e os limites são muito importantes na família, mas só funciona e tem coerência num ambiente afetivo-relacional, onde a consciência é respeitada a partir da valorização da consciência dos porquês.

Rhone Giullian