
Alvo da projeção das massas, o casamento real de real só a fantasia.
Quem acordou às 06 da manhã pra ver um espetáculo que de tão antigo se torna novo, se surpreendeu com o misto de simplicidade e exuberância do casamento do neto da Rainha Elizabeth. Exuberância pelas roupas lindas e caras, orquestra e os cavaleiros reais e as festas caríssimas, porém simples na objetividade de palavras simples e participações necessárias no decorrer da cerimônia que não demorou mais do que certos casamentos inventados por muitos plebeus com carência de estrela.
Um evento assim leva muita gente a se projetar no poderoso rapaz que tem um grande poder sem muito esforço de conquista e uma moça que é alvo de admiração e inveja das mais poderosas mulheres do mundo. Gente que não precisa trabalhar, ganha pra aparecer e representar a nação. "Funcionários públicos", no sentido de receberem do estado, pra justamente terem pompa, glamour e nariz empinado. Um casamento que se aparentemente for bem, todos se sentem um pouco representados pela sugerida pureza e compromisso, sublima-se os seus desejos e expurga-se os seus pecados ao olhar pro casamento deles.
Alguns dizem que não há nenhum problema nisso, que uma ligação histórica é importante pra identidade da nação e que os ganhos que uma monarquia que não interfere na democracia, traz mais admiração e respeito popular do que problemas políticos.
O problema maior talvez esteja aqui no Brasil, estamos indignados com os políticos que ganham pra não fazer nada, que não dão um exemplo familiar, que supostamente roubam ou fazem leis e projetos econômicos péssimos, porém na cerimônia de posse da governanta eleita pela situação, admiramos a separada e nada feminina presidenta, a mulher com idade de neta do vice, esquecemos os juros, a inflação, a gasolina e agora o Delúbio. Nada melhor que um grande evento pra memória se perder.
Para os políticos britânicos, esse casamento veio muito a calhar, num momento de crise como o que estão vivenciando ninguém vai deixar de falar do vestido a lá Grace Kelly pra falar dos cortes de gastos nos benefícios públicos, né?
É, passa-se o tempo, os reis, imperadores e governantes continuam ganhando com a velha estratégia: faça espetáculo para as massas e elas vão te amar. Parece que este casamento carrega não só a fantasia dos contos de fadas, mas também nos leva pra o mundo ideológico da fantasia e alienação, ou não. Só espero e desejo que sejam felizes como casal real, no sentido do verdadeiro e não sejam apenas aparência de realeza como o TRÁGICO casal Diana e Charles.
Rhone Giullian, o homem que não tem reino, mas tem uma princesa, te amo Rhariê.