quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Deus, desastres e predestinação.
A gente tem muita resitência com a questão da predestinação na salvação. Na verdade de Santo Agostinho até os Reformadores esse foi o pensamento dominante na igreja. Porém, sempre houveram aqueles que acham que são os responsáveis, aqueles que tem o arbítrio para decidirem se querem Deus ou não. A questão fica meio contraditória quando se trata de desastres como este que estamos assistindo na região serrana do Rio. A gente vê muita gente falando, "Deus quis assim, fazer o quê". "É, Deus me salvou, foi graças a Deus que estou vivo". Bem são todos comentários muito interessantes, porque se forem verdade, Deus escolheu alguns pra salvar e outros pra morrer, e se não for verdade, Deus trouxe um desastre e deixou que cada um cuidasse de si. Mas no final, eu prefiro pensar que o homem foi construindo onde não devia, que tem destruído a natureza e provocado terríveis temporais, os governos humanos não querem se envolver nem com a proibição do crescimento populacional em áreas de risco, nem com mecanismos de prevenção avisando a possibilidade de desastres naturais, ou seja, o homem está plantando a morte. Agora, Deus, é..., Ele é tão bom que ainda tirou alguns da morte, já que o homem escolheu se auto-destruir, qualquer um que Deus salvar é graça, bondade e amor. Então vamos celebrar os que foram salvos e questionar, não a Deus como acusadores, mas ao homem que está matando a si mesmo aos poucos. Ah, falando nisso, cadê o posicionamento da igreja em relação a questão do desenvolvimento sustentável, da preservação etc...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Liderar é participar os outros de suas qualidades.
O ato de liderar só acontece quando temos a disposição de influênciar naquilo que é a nossa capacidade. Infuência só vem se você tem algo para transmitir, passar, oferecer. Todos podem liderar, no tempo e no espaço desde que a hora e o lugar requeiram da sua capacidade. Uma dona de casa pode lidarar oferencendo de seu discernimento da ordem e dos quesitos do lar. Um aluno quando se dispõe a ajudar colegar a conhecer melhor a matéria que domina. Nesse sentido, vemos que liderar é para todos, assim como o ser liderado. Todos nós quando doamos de nossas qualidades ao próximo estamos não só liderando mas confirmando nossa identidade cristã.
Problema sério essa nova geração!
Gente, o desafio de trabalhar com pessoas é sempre grandioso, tanto pela complexidade como pelas características de tempo e cultura que se colocam contrários a alguns princípios e valores inegociáveis.
Estamos contemplando uma geração extremamente complicada, não por seus costumes, práticas ou vontades, mas pela sua ampla falta de reflexão. É o tempo onde substituímos o por quê questionador de outras gerações pelo por que não caprichoso como já pontuava Fromm. O capricho, fazer as coisas por um prazer que as veses é transitório e nem prazer é de verdade. A falta de sentido, objetivo na vida. As relações razas e baseadas na aparência, muito indefinida por sinal. A falta de compromisso, ligação afetiva com pessoas, projetos, religião, ideologia, esta última seria pedir demais.
Tá difícil, mas não pela luta contra a rebeldia, esta muitas vezes é saudável, nem pela inovação cultural rápida que é fruto do desenvolvimento num todo, o difícil é lutar contra aquilo que não se sabe o quê, que não tem chão, não tem ideologia, não se firma em algo. É como lutar contra o vento.
Estamos contemplando uma geração extremamente complicada, não por seus costumes, práticas ou vontades, mas pela sua ampla falta de reflexão. É o tempo onde substituímos o por quê questionador de outras gerações pelo por que não caprichoso como já pontuava Fromm. O capricho, fazer as coisas por um prazer que as veses é transitório e nem prazer é de verdade. A falta de sentido, objetivo na vida. As relações razas e baseadas na aparência, muito indefinida por sinal. A falta de compromisso, ligação afetiva com pessoas, projetos, religião, ideologia, esta última seria pedir demais.
Tá difícil, mas não pela luta contra a rebeldia, esta muitas vezes é saudável, nem pela inovação cultural rápida que é fruto do desenvolvimento num todo, o difícil é lutar contra aquilo que não se sabe o quê, que não tem chão, não tem ideologia, não se firma em algo. É como lutar contra o vento.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Adolescêntes em Crise!
A adolescência não é algo natural. É uma construção histórica, fruto de circunstâncias políticas, econômicas e sociais. É diferente de puberdade. Esta é sim natural, física e biológica, leva a transformações físicas e hormonais que afetam o emocional e atinge os chamados impulsos.
Adolescência é:
A adolescência é um espaço construído entre a infância e a vida adulta. Quando envolvida pela revolução industrial a mão de obra sai de dentro das casas para as indústrias e precisa de uma formação mais prolongada, as crianças que já entravam na vida comum aos 7 anos, trabalhando com os pais, agora vão pra escola e lá permanecem até que se formem e estejam prontas pra o mercado.
Este intervalo onde a criança deixa de ser criança e não é absorvida pela vida adulta é chamada de adolescência. Imagine alguém que tem habilidade pra trabalhar, força física pra um monte coisas, condições biológicas de se relacionar com uma mulher e alguém agora lhe dissesse que você está proibido de qualquer uma dessas coisas, você se tornaria o quê?
Um revoltado, uma pessoa não compreendida do tipo “ninguém me entende”, provavelmente suas emoções seriam afetadas e não lhe seria possível exercer papéis de responsabilidade etc.
Que idade?
Olha só que interessante, é por isso que a idade da adolescência, segundo os pesquisadores, aumentou para 24, 25 anos. Hoje o mercado de trabalho anda tão exigente que depois da escola vem a faculdade e agora as especializações e só depois há possibilidade do jovem se tornar independente ou se casar. Veja, aquele jovem em outros tempos ou culturas já poderia se casar muitos anos antes, ele já trabalharia e poderia exercer suas capacidades físicas com prazer, mas agora pegamos um jovem de 14 anos, que é maior que a gente, é mais inteligente, mais forte e está louco pra exercer seu potencial de ser pai, ou seja, colocar o aparelho reprodutor que a biologia dele já liberou pra o uso em ação e dizemos pra esse jovem que ele não pode fazer nada disso. Ah, eu e você também entraríamos em crise. Entraríamos em uma aborrescência danada.
E se fosse você?
Imagine só essa galera que está na crise dos 40, o que isso significa? Em um mundo que não dá espaço para a maturidade, onde você já é considerado velho antes dos 50, só poderia gerar isso mesmo, crise. Mas a contradição ocorre no fato de que a expectativa de vida aumentou muito, o cara ou a mulher estão em condições normais de trabalhar, transar, se divertir e o mundo vem falando pra eles que não têm espaço!!! Oh, uma crise!
Qual é o papel do adolescente? O que ele tem de condições de decidir? Sabe, a gente trata marmanjos como crianças, só dizemos que eles são grandes naquilo que nos interessa, mas naquilo que interessa pra eles nós dizemos que não está na hora, eles não têm maturidade. Que coisa, né? Eu também estaria em crise.
Qual meu espaço?
É interessante o que a sociedade fez com as pessoas, gente entre os 7 e 25 anos, ela lhes tirou a relevância, é como se eu estivesse num processo de me preparar pra ser gente, pra poder usar os atributos de pessoa, como decisão, avaliação das possibilidades, reflexão, emoções, consciência etc. O que antes eu era considerado em condições desde a tenra idade, agora, só depois de uma especialização, ou depois de me casar ou se me mudar, me manter e viver independente, mas como um jovem de 17 anos pode fazer isso nos dias de hoje? É temos que dizer pra os “adolescentes”, sejam imaturos mesmo, porque é isso mesmo que esperamos de vocês. Sejam revoltados, é isso mesmo que queremos. Sejam problemáticos, é só uma fase. A gente precisa que vocês fiquem doentes pra comprovar que nossa proibição de sua atuação social é embasada cientificamente... kkkk (Contraditória, né?)
E a igreja?
A igreja muitas vezes entra em um discurso de crítica destrutiva. Nós derrubamos e criticamos a adolescência, falamos que isso não existe que não tem que ser assim. Porém, não propomos um caminho possível. Lembro-me muito bem de uma fala de um pastor muito bem intencionado, ele usando a cultura Judaica tentando mostrar como um ato reprensentativo (profético) faria o adolescente criar maturidade, mágico isso não? Esquecemos que a cultura capitalista é a base da nossa sociedade, assim, se tiver jeito de promover um caminho diferente para o jovem esse caminho terá que levar em conta as fortes imposições da cultura em que vivemos. Não dá pra continuarmos com respostas espiritualistas pra problemas que precisam de uma intervenção efetiva e consciente.
É necessário entender que a promoção da saúde do sujeito adolescente não poderá ser buscada fora de uma compreensão da cultura, economia, política, hitória e todos os determinantes deste fenômeno. Não dá pra querermos fazer transferência de visão de mundo de um país ou cultura diferente, mas precisamos e podemos ressignificar a idéia que temos dos jovens e criarmos espaços de participação, expressão e relevância, onde este jovem possa produzir sentidos e significados que tragam consciência de importância existêncial.
Dicas práticas:
Talvez os pais sendo muito bem orientados podem trazer os filhos à uma participação mais ativa nas tarefas do lar. Imagine um jovem de 13 anos organizando a lista de comprar e aprendendo o que é relevante comprar, o que não é possível adquirir, a como lidar com o financeiro e comunicar tudo isso com os pais, os orientadores da ação. também às igrejas podem gerar processos que desafiem a participação e a responsabilização dos jovens, porém isso é muito trabalhoso e a maioria só quer criticar.
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