quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sexo Seguro é Pecado???!!!

Vivemos uma paranóia social, onde as barreiras de separação construídas por nós não são suficientes pra nos proteger dos riscos que contraditoriamente nosso estilo de vida construiu. Estamos aumentando os muros, eletrificando as cercas e estabelecendo os limites da nossa segurança, que é separar o “bom” do “ruim”, o “certo” do “errado”.
A expressão mais clara desta busca de segurança são os condomínios fechados, onde podemos gozar os frutos do nosso “sucesso”, do que é “bom”, em paz, sem que o “ruim” venha de alguma forma reclamar qualquer participação.
O conceito que poderia resumir a subjetividade desta sociedade pós-moderna é “não viva o compromisso, use a proteção”. Ou seja, a proteção comprada garante pra nós os prazeres sem a preocupação com o compromisso, de modo que eu gasto com a segurança pra não arcar com o compromisso de gerar oportunidades e desenvolvimento social, de forma que os muros e as cercas já não teriam sentido diante da transformação e da participação viabilizada.

Contradição.

            O estilo de vida que busca a segurança pra viver tranqüilo o prazer é enganoso, por que na verdade nunca ficamos verdadeiramente em paz, sempre existe a possibilidade da cerca, do muro ou dos guardas falharem em proteger, por isso a paranóia de insegurança fica retroalimentada.

A Sexualidade

            As relações interpessoais se dão nesse contexto de segurança para o prazer, e a sexualidade, como uma forma de relacionamento, fica envolvida nesta cosmovisão.
            A sexualidade como construção social, cultural e histórica tomou caráter de produto, se coisificou em mercadoria do prazer individual e do comércio. Então este fenômeno humano, diferente dos animais pelo significado na consciência, passa a ser determinado pelo mercado, onde podemos pagar para vivenciar os prazeres personalizados sem preocupação nenhuma.
            Se vivemos na cultura do individualismo, o compromisso com o outro é contra a cultura vigente, então a sexualidade segura fica estabelecida nos mesmos moldes do exemplo dos condomínios fechados, onde eu posso gozar o meu prazer na individualidade.

O Indivíduo e a Pessoa

            Em meio a toda essa forma de pensamento, temos que buscar a verdade e a verdade é Cristo, e sua palavra o caminho para Ele. A Bíblia diz que Deus formou o humano e não o homem, o humano é o macho e a fêmea em relação, onde como a ciência já descobriu, o humano só se torna pleno no relacionamento com o outro. Sem o relacionamento social os aspectos da alma, como intelecto, afetividade e vontade não se desenvolvem, não podendo se tornar o humano na sua plenitude. A comunicação, o raciocínio, a memória, se dão a partir de significações construídas com o uso dos signos que compõem a linguagem e que são transmitidos nas relações com a cultura, se o homem fosse separado desde o nascimento e criado com animais, nós veríamos ali um humano na essência, mas não identificaríamos os aspectos da consciência que nos diferenciam dos animais.
            Então isto mostra que Deus criou a pessoa, o ser relacional que só é o que é na relação, e não o indivíduo. O individuo nasce junto com a busca da privacidade, da separação, da diferenciação, tudo isso fruto do momento histórico promovido pelo mercado, de modo que aquilo que era compartilhado agora é individualizado, o que aproximava, agora separa. Meu quarto, minha televisão, meu computador que é diferente do seu, está em outro cômodo e por isso nos separa mais ainda.
            Se Deus nos fez a imagem da sua semelhança, um ser relacional, então essa cultura vem destruir essa relação do macho e fêmea de modo que não expressem Deus. Tudo isso é anti-Deus, anti-Cristo, cultura demoníaca que deforma a sexualidade por meio do individualismo exacerbado. Somos pessoa, ser relacional e tudo que destrói essa identidade é doentio.

O Sexo Seguro

            A ciência do mercado criou o sexo seguro, um mecanismo de proteção que lhe permite viver o prazer sem comprometimento. A sociedade Marketizou, personalizou e sofisticou o sexo, mas tirou-lhe a maturidade que é sinônimo do amor, a mais alta expressão do comprometimento com o outro. Novamente surge uma contradição, porque foi justamente a busca individual do prazer sem o comprometimento que produziu as doenças tão temidas, tanto as físicas, quanto as emocionais. Então as cercas de proteção não são só preservação física, mas também preservação do individualismo, proteção da condição de viver o “bom” sem a preocupação do “ruim” que neste caso é o compromisso. Esta postura agora nos compromete, porque vira medo que diminui o prazer e aumenta o receio, onde o agora é “bom” viver o prazer, mas o depois é “ruim” a angústia resultante.

O que é o Pecado?

Muito se fala nas igrejas sobre os pecados, tudo muito relacionado às quebras de regras e leis que pretensiosamente dizemos que são de Deus. A Bíblia diz em Colossenses 2:20-23 que isto nada pode contra os impulsos da carne, então não é criando leis que o vencemos, já que Paulo escrevendo as Romanos (3:20;5:20) deixa claro que a lei criou o pecado, então precisamos de um conceito claro do que é o pecado pra que tentando destruí-lo não acabemos por levantá-lo.
            Paulo escrevendo a primeira carta aos Coríntios (10:23e24) deixa claro que o pecado não está na ilicitude da ação, pois tudo é permitido, está sim na busca do próprio bem, no priorizar-se. Nesse sentido ele na carta aos Gálatas (5:14) ele diz que a lei, a regra é uma só, ame o próximo, não o defraude, não proponha o que seu compromisso não sustenta, não faça nada que esteja em busca de satisfação dos interesses egoístas.
            Assim, se sexo seguro é preservar-se, onde a preocupação maior é consigo mesmo, então é pecado. O preservativo, a cerca de defesa própria que levantamos pra nos proteger das doenças que nós mesmos criamos, é o símbolo maior do que as pessoas buscam: amor sem riscos. Risco de saúde, pois alguém pode estar contaminado e risco de arcarmos com compromissos futuros no caso de gravidez.
            Esse instrumento social é tanto efeito como causa de um desejo extremo de vivermos prazeres egoístas sem nenhuma preocupação com o outro. A proporção é tanta que os programas televisivos incentivam as mulheres casadas a usarem o preservativo com seu próprio marido, e por quê? Por que ele, como tem muitas chances de falhar no compromisso com sua família, poderá adoecer tanto fisicamente quanto emocionalmente os seus.

O Verdadeiro Sexo Seguro é para os Cristãos
           
Sexo seguro é a vivência da sexualidade com compromisso. Um jovem que namora e não tem condições, ou não pretende assumir um compromisso de casamento e os possíveis frutos de uma relação mais íntima com sua namorada, pode praticar um Sexo Seguro. Exatamente isso, ele pode exercer todos os aspectos da sexualidade SEM QUE ISSO SIGNIFIQUE TRANSAR com ela. Ele estará vivenciando a sua condição sexual masculina na relação com uma moça que também tem uma condição sexual feminina, onde toda sua expressão é sexual por natureza e plena, porém, só farão aquilo que o compromisso de abençoar um ao outro permitir.
Se na sua relação ele ou ela geram um no outro, desejos que não podem suprir por não estarem nesta condição, eles estarão se defraudando, nesse sentido, não estão buscando o bem do companheiro, mas sim pecando contra ele.
Então quando buscamos nosso prazer pessoal, fora dos limites da nossa condição de um compromisso, pecamos. Por isso defraudar o outro, conhecê-lo na intimidade fora do casamento, masturbar-se, tudo isso é pecado.
O sexo só é seguro quando não é pecado, quando está tomado de compromisso com o outro, quando busca privilegiar o bem daquele que amamos. Amar ao outro é amarmo-nos, ninguém ama outra pessoa se não si ama. Quem se ama, não vive de carências tentando tapar os buracos da alma utilizando o outro como objeto, quem se ama, crê que foi feito pra ser doação, dádiva, canal de bênçãos na vida do outro.

A Sexualidade é Imagem de Atributos Divinos

         Fomos criados na nossa condição sexual macho e fêmea, revelando aspectos divinos nesta condição. Veja o gerar de uma mulher, revela como imagem visível os aspectos geradores do Espírito Santo. A capacidade de semear do homem revela as sementes que Deus lança em sua noiva, a igreja. Assim, o abraçar, o beijar, o êxtase, o prazer são virtudes reveladas na sexualidade como instrumento pedagógico de Deus para comunicarmos seu caráter.
            Quem não sentirá um êxtase ao se deparar com a gloriosa presença de Deus que é simbolizada no livro de cantares pelo Noivo, o Cristo e a Noiva, a igreja. Quem não correrá para os braços do amado no glorioso dia da sua vinda. Quem não sentirá dores de amor, as vezes forte como a morte, pelo Cristo tão esperado.
            Nesse sentido, os aspectos físicos e visíveis são apenas instrumentos que revelam os aspectos invisíveis de Deus. Ele não precisa de nada físico pra produzir tudo o que falamos acima em nós, assim como nós não precisamos de aspectos visíveis como braços para abraçar, não precisamos de útero pra gerar, não precisamos de pênis pra semear. Podemos semar amor, fé, desafio, ânimo, compromisso, podemos gerar as pequenas sementes de sonhos das pessoas ao nosso redor. Podemos abraçar com palavras e atitudes que acalentam, consolam, podemos promover um prazer incontável nas pessoas quando nos dispomos a comprometer-nos com seus desafios pessoais, sonhos e projetos.
Enfim, podemos viver plenamente sexualidade, porque toda ação de um homem que é macho e de uma mulher que é fêmea é expressão de sua sexualidade, mas não de sua sensualidade. O diabo encheu a mente de homens e mulheres de sensualidade, de forma que muitos buscam abraçar, semear, gerar só de forma física, sensual e pecaminosa. Mas Deus nos revelou que a verdadeira sexualidade é a capacidade de exercer as virtudes masculinas e femininas na vida um do outro sem sensualidade e de forma comprometida.
Sexo seguro então se revela, quando um jovem semeia sonhos e uma jovem ajuda a trazer corpo a este sonho ou quando um homem ao namorar uma mulher sabe que só vai tocá-la de uma forma mais íntima depois de priorizar o compromisso do casamento. Sexo seguro é o marido que nunca deixaria de viver os prazeres íntimos com sua esposa pra evolver-se com outra, destruindo o compromisso com a família ou produzindo desejos em uma outra mulher que ele não poderia, ou pelo menos não deveria suprir.
Sexo seguro é compromisso. Sexo seguro é vida. Sexo seguro é doação pelo outro. Sexo seguro é a sexualidade pura destituída da sensualidade do individualismo do pecado. Sexo seguro é para nós os verdadeiros cristãos.

Amor e a Revelação do Propósito

Temos desenvolvido uma temática sobre relacionamentos cristãos, buscando uma reflexão que seja bíblica em primeiro lugar, porém que não deixe de avaliar o tempo em que vivemos, as estratégias do deus deste século, a mentalidade corrompida desta geração, os sofismas e os argumentos que são contrários ao conhecimento da graça de Deus. Percebemos o quanto é difícil para um jovem hoje, participante ou não de uma comunidade evangélica, compreender os princípios do evangelho. Para eles, seria muito mais compreensível um livrinho de regras fundamentado em doutrinas de homens que, como Paulo afirma em Colossenses 2:20-23, não têm valor algum para refrear os impulsos da carne, ou seja, nossa sensualidade.
            Porém, queremos falar um pouco sobre um princípio muito importante de se observar em um relacionamento que levará ao casamento. Esse princípio se relaciona com o conhecimento da relação entre Tempo, Propósito e a Condição em que nos encontramos. Este conhecimento se dá na revelação de quem nós somos, quem o outro é, e o propósito de Deus na minha vida e na da pessoa que está próxima a mim.
            Em Eclesiastes capítulo 3 existe uma relação entre tempo e propósito muito clara: “há tempo certo para cada propósito debaixo do céu (vs.01)”.  Percebemos que para tudo que planejamos ou nos propomos a fazer existe um momento certo, mas se avaliarmos mais profundamente perceberemos que Deus não tem como característica ficar pré-determinando as coisas no céu, Ele nós dá livre arbítrio para escolhermos, decidirmos, podendo escolher por quem nós queremos ser influenciados, se por Sua palavra, graça e amor, ou pelo contexto social, cultural, familiar e tantas outras possibilidades.
            Nesse sentido, o que determina o tempo certo não é determinação impositiva de Deus, mas sim a nossa condição naquele momento. Ora, Deus tem pensamentos bons e quer que vençamos em tudo, mas muitas vezes na nossa condição espiritual, emocional, cognitiva, podemos não estar preparados para receber algo que apesar de ser muito bom não temos estrutura para receber. Assim, a condição financeira, emocional ou espiritual de uma pessoa pode revelar não ser um bom momento para se casar. Precisamos entender que as bênçãos já nos foram dadas, porém o tempo de recebê-las depende da nossa condição.
            Existem pessoas que estão tão profundamente distantes da compreensão do amor de Deus e da sua realidade em Cristo que, se buscarem um relacionamento, poderão destruir a pessoa com qual vão se casar.
            Outra questão importante é o conhecimento do propósito. Uma pessoa que não entendeu o propósito de Deus na sua vida pode tomar um monte de decisões erradas. Os desafios que você encara na vida também determinam o tempo de muita coisa. Imagine um jovem que está se dedicando aos estudos, ele está envolvido em um propósito que vai determinar o tempo de muitas coisas na sua vida. Talvez ele tenha que adiar muitas coisas divertidas que ele gostaria de fazer, mas que o tiraria do propósito de estudar. O projeto de se formar tem levado muitos jovens a se casarem mais tarde do que os jovens de outras épocas, e, ainda que desejem se casar entendem que não é o tempo, pois têm um propósito que os levarão a uma condição de cumprir um outro propósito que é o casamento.
            Para entendermos melhor esses princípios vamos caminhar na história de José e Maria em Mateus capítulo 1:18-25.
            Em primeiro lugar, podemos verificar nesse texto uma questão muito interessante que nós já mencionamos nas discussões anteriores, que é a expectativa de José. Maria naquela sociedade era uma mulher muito valorizada, era virgem, com certeza de muita fé, submissa, de família. Então, quando José percebeu que ela frustrara as suas expectativas, os seus propósitos mudaram. Agora ele queria deixá-la, sua frustração era maior que o seu compromisso. É bem provável que Maria tenha tentado explicar-se, porém o afeto de José estava direcionado à satisfação das suas expectativas e não a Maria. Lembre-se que afetos passivos direcionados por carências inconscientes em que buscamos no outro a satisfação dessas carências são os indícios de uma relação baseada em paixões e não em amor.
            Em segundo lugar, José era um homem de muitas qualidades, justo, discreto, piedoso, porém ele era uma pessoa sem revelação, sem o discernimento de quem Maria era. Então, foi necessário um anjo do Senhor para trabalhar isso nele. O anjo foi falar sobre quem era aquela mulher que estava do lado dele e qual era o projeto para a vida dela. O anjo não falou “case-se com Maria”, ele disse “não tenha medo”, pois o que José precisava entender é que no amor não existe medo (I João 4:18), pois o medo revelava as expectativas e carências, sendo que quando me relaciono baseado nessas condições eu crio a possibilidade de me frustrar, de me decepcionar. Quem não cria expectativas não tem chance de conhecer a frustração. O amor é algo que nós damos ao outro, não o que nós comercializamos. É uma convicção do que podemos dar e não do que queremos receber.
            Muitas pessoas estão se relacionando na expectativa de ser, como se aquela pessoa do seu lado é quem vai possibilitar que ele seja alguém mais valorizado, amado, respeitado. Quantos no mundo afora estão buscando uma mulher fisicamente bonita para satisfação de suas expectativas de ser observado, valorizado pela sua conquista, ou seja, a sua companheira é o seu status. Outros estão buscando alguém que lhes dê o abraço que eles nunca receberam, o beijo, o carinho que nunca conheceram, ou seja, a sua companheira é sua adulação. Somente quem tem conhecimento de suas possibilidades, entendendo que o que lhe foi carência não as anula, é que pode decidir amar, decidir dar o que não recebeu sem esperar nada em troca. Porém, não se preocupe, uma pessoa que age assim, com esta disposição e convicção, receberá muito mais do que alguém que faz alguma coisa para o outro como troca.
            Em terceiro lugar, José teve que perceber que aquilo que eram as limitações de Maria era a oportunidade que ele tinha de fazer diferença na vida dela. Só quem ama pode, ao invés de julgar ou se frustrar com a fraqueza do outro, fazer diferença oferecendo ajuda, compreensão, estendendo a mão. A gravidez era uma limitação para Maria no relacionamento, mas José era quem mais poderia ajudá-la. Quando a pessoa com quem nos relacionamos revela limitações, a nossa atitude em relação a isso é que vai revelar àquela pessoa se a amamos ou se estávamos com ela na expectativa de que ela não errasse. Por isso vemos tanta insegurança nos relacionamentos e no triste fim de um relacionamento afirmando que nunca conhecera aquele com quem convivera tanto tempo. Mas claro, estavam se escondendo um do outro, com medo de frustrar expectativas, porque sabiam da fragilidade de seus relacionamentos.
            Em quarto lugar, José precisava conhecer o propósito de Maria. Deus tinha um propósito para Maria, ela estava comprometida com algo que traria relevância à sua existência e que cumpriria um projeto de Deus, a sua vocação. Talvez aqui se verifique uma das principais questões relacionadas ao jugo desigual. Jovens para se casar precisam verificar a missão um do outro, seus projetos de vida para que não construam estradas opostas em suas vidas. Quantas pessoas hoje têm uma vocação Divina tremenda, mas estão totalmente paralisados espiritualmente, justamente porque se casaram. Não avaliaram a missão de quem iria estar ao seu lado o resto de suas vidas. Claro que agora que se casaram não podem mudar mais isso, o casamento é uma aliança eterna diante de Deus, o que eles precisam é buscar em Deus o direcionamento de um caminho comum, onde um possa cooperar com o outro para o cumprimento do propósito de Deus em suas vidas.
            Para as pessoas que pretendem se casar é necessário avaliar a missão, o projeto de vida, o propósito de quem vai estar ao seu lado. Muitos pastores estão chorando hoje porque suas esposas não concordam com a escolha do seu marido. Quantas mulheres reclamam porque seus maridos as impedem de estudar, trabalhar, se desenvolver em diversas áreas por acharem que isso é algo desnecessário. Então, se o princípio do amor é buscar o bem do outro, você deve avaliar se seu propósito, sua missão, seu projeto de vida, coopera com o bem da pessoa que você pretende se casar. Você precisa avaliar se amando aquela pessoa a melhor decisão é se casar com ela. Por isso o amor é diferente da paixão, pois ele é um afeto ativo, onde eu tenho sempre a possibilidade de escolher, de decidir, não é uma força que me domina ou escraviza.
            Em quinto lugar, quando José entende esses princípios, o que aquela relação passa a revelar é o amor e o amor vence o pecado. Quem ama busca, em primeiro lugar, o bem do outro, quem ama não defrauda, não abandona, não julga, não destrói. Quem ama se envolve, dá a mão, aceita, se santifica. Ao lermos a epístola de I João entendemos que quem conhece o amor vence o pecado, quem vive pecando não conheceu o amor. Para amar precisamos vencer as nossas carências, pois quem acha que é incompleto, ou que só pode satisfazer suas carências em pessoas, não consegue amar a si mesmo, na verdade se torna egoísta. Mas, quem conheceu o amor de Deus e o que Ele nos dá, tem consciência de suas possibilidades de amar e fazer a pessoa do seu lado muito feliz.
            Finalmente, José entendeu que ele deveria esperar para ter relações íntimas com Maria. A condição em que aquela mulher se encontrava e o propósito dela estavam revelando a José o tempo que ele deveria esperar para possuir a sua esposa em intimidade sexual. Todo jovem que entende esses princípios não vai ultrapassar limites, defraudar pessoas ou se deixar dominar pela sensualidade, pois ele saberá avaliar a sua condição e da pessoa com quem ele se relaciona, avaliará também o propósito de Deus na sua vida e na vida do outro e essa compreensão, essa revelação profunda que só alcança quem deseja se envolver com as pessoas pela motivação correta, vai guiá-lo na identificação do tempo. Jovem, existe um tempo para tudo acontecer na sua vida, mas é a sua condição e seu propósito que vão determinar o momento certo de todas as coisas.
            Espero que estas palavras te façam refletir, compreender e discernir todas as coisas (I Coríntios 2:15), deixando de ser influenciado pelo mundo ao seu redor, com seus valores corrompidos e suas idéias hedonistas* e destituídas de propósitos nobres. Temos a oportunidade de revelar uma consciência pura, um coração comprometido com as pessoas e uma atitude baseada na transformação da mente e não nas proibições, regras e leis de homens sem conhecimento de Deus e da sua Graça.

*hedonismo: Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível.

RHONE GIULLIAN  Psicólogo e Educador Sexual

AMOR vesus PAIXÃO

O amor e a paixão

A temática sobre relacionamentos é sempre bem vinda em qualquer situação, ambiente ou contexto. Isso se deve ao fato de que nós seres humanos somos imagem de um Deus que é em essência relacional. É isso que o Apóstolo João quer dizer quando afirma que Deus é amor. O relacionamento da trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, é a expressão na eternidade do amor, onde os três na verdade são um. Esse mistério se torna ainda maior quando o próprio Cristo nos diz que o Seu desejo é que nós sejamos um com Ele como Ele e o Pai são um. Irmãos, nos relacionaremos com um Deus trino por toda eternidade sem nos separar e a cada momento nessa eternidade teremos o privilégio de conhecer mais do amor de Deus.
         Talvez o mistério da eternidade possa nos deixar atônitos e sem compreensão, mas este é o objetivo de Deus, se relacionar íntima e profundamente com a Sua criação mais plena que é o ser humano. Sendo a imagem segundo a semelhança de Deus, somos seres relacionais que carregam na sua constituição genética a necessidade de relacionamentos. O homem nasce com toda estrutura biológica para se tornar humano, porém as características que nos diferenciam dos animais são adquiridas nos relacionamentos sociais, na interiorização da cultura através da linguagem e dos relacionamentos. Um homem, diferente dos animais que são de características instintivas e inatas, precisa aprender as características que o tornarão um ser consciente e pensante. Assim, Deus nos revela a característica mais plena da Sua imagem no fato de o homem não sobreviver sem relacionamentos.
         Como já falamos no nosso primeiro estudo (O amor vence o Pecado), Deus fez o homem e o abençoou tornando-o um ser produtivo que deveria produzir, oferecer, doar. Porém, o diabo convenceu o homem de que lhe faltava algo, gerando nele uma cobiça que o levaria a ser dominado pelo desejo, pela carência, gerando assim o que vamos chamar aqui de paixão.
         Paixão na Bíblia está ligada à Carne e seus Desejos, ou seja, à Cobiça. Em Gálatas, no capítulo 5, temos uma discussão pequena, porém profunda, sobre o amor e a paixão. Paulo coloca uma lista de atitudes que são motivadas por carências, medos, desejos incontrolados, que são na verdade frutos de afetos passivos, ou seja, motivações que dominam o homem de uma forma que este é impelido a realizar ações que não gostaria de fazer. A palavra Paixão nos leva à idéia de passividade, um afeto que nos domina e nos impele a atitudes negativas. Assim, a principal característica da paixão é o fato do homem se tornar objeto de emoções que na maioria das vezes são inconscientes.
         O ciúme, por exemplo, é resultado de uma paixão, onde eu tenho medo de perder algo que eu quero possuir, demonstrando minha total falta de certeza se é meu ou não. O ciúme pode justamente ser o causador da perda daquilo que tanto queríamos dominar, mas é uma paixão que vem dominando a pessoa fazendo desta seu objeto passivo. Agora, de onde vem tanto medo de perder? A resposta a esta pergunta revelará alguma situação que esta pessoa vivenciou que provavelmente não está na sua consciência. De uma forma bem compreensiva para os leitores, sem querer dar aqui uma explicação complexa, vamos considerar as questões inconscientes como tudo aquilo que foi de alguma forma parte da nossa experiência passada, mas que não pode ser acessado por nós de forma consciente e lúcida e ainda pode nos influenciar em nossas atitudes sem que percebamos.
         Muitas pessoas que se dizem apaixonadas, “caídas” de paixão, se vêem evolvidas pelas características que Paulo coloca como obras da carne, como imoralidade sexual,  libertinagem, ódio, discórdia, ciúmes, iras, dissensões, inveja, embriaguez e como ele diz, qualquer coisa semelhante a esta, que são geradas por afetos de natureza passiva que dominam as pessoas. Por isso que, ao iniciar o capítulo 5 de Gálatas, ele coloca a temática que irá discutir que é a Liberdade, assim, estar apaixonado é estar preso, dominado, escravo de desejos e cobiças que expressam carências inconscientes e muitas vezes incontroláveis.
         Porém, é nesse contexto meio ameaçador para nós, pobres homens de natureza carnal, que Paulo nos revela a solução: “Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas Paixões e os seus Desejos”.
         Só existe um caminho para vencermos: é a graça de Deus revelada em Cristo Jesus, compreendendo que já morremos com Cristo e se morremos com Ele não seremos dominados pelo pecado e pela carne. Em Romanos, no capítulo 6, Paulo nos diz que devemos nos considerar mortos para o pecado e que este jamais terá domínio sobre nós, e que não podemos nos deixar dominar pelos nossos desejos carnais, deixando de sermos escravos e sabendo que ressuscitamos com Cristo e agora a nossa vida é a vida que Cristo nos deu.
         Em Gálatas 2:20 Paulo fala da vida de Cristo em nós e em Romanos 8:16 fala que somos filhos de Deus. Isso nos revela que temos a identidade de Cristo, uma nova natureza, um espírito ressuscitado, e agora o Espírito Santo comunica com o nosso espírito que somos filhos com a identidade de Cristo em nós. Esse relacionamento do Espírito de Deus com o nosso espírito frutifica e a primeira característica desse fruto é o amor. Em Gálatas 5:22 e 23, todas a outras características do fruto ali descritas são resultados, expressões do amor.
Em Romanos 5:5 entendemos que o amor é derramado em nossos corações pelo Espírito de Deus. Assim, não somos obrigados por Deus a amar, mas temos o privilégio e toda a possibilidade de amar porque o amor é algo que nós temos em abundância, derramando em nossos corações.
         O amor, diferentemente da paixão, é um afeto ativo, é uma atitude caracterizada pela decisão consciente, ninguém pode amar sendo aprisionado pelo amor. Quando falamos em amor não estamos falando de um sentimento ou emoção influenciado pela carência ou pela necessidade emocional, mas sim pelo conhecimento de quem se é e de quem é o outro a quem decidimos amar. Quem conhece o amor ama a si próprio e às outras pessoas. Quem não ama a si próprio, provavelmente sente que tem carências, faltas, prejuízos que precisam ser sanados para que então a pessoa ame a si. Agora, quem conhece a sua identidade em Deus não tem dificuldades de amar nem mesmo o inimigo, pois todas as características do amor são atitudes as quais eu posso decidir disponibilizar a qualquer pessoa.
         Tudo isso parece complicado para uma sociedade de mercado, onde tudo é uma troca, é ganho, lucro. Aprendemos na cultura e nas relações sociais a nos envolver com pessoas pelo que elas podem nos oferecer, então estamos nos vendo como pessoas incompletas, carentes de coisas exteriores que nos satisfaçam. Portanto, quem assim se relaciona constrói expectativas em relação às pessoas ao seu redor dando lugar à possibilidade quase que certa de uma frustração. E por que frustração? Porque essas carências ninguém pode suprir, ninguém vai te dar o abraço que seu pai não te deu, nem toda beleza de uma companheira vai conseguir acabar com a sua necessidade de ser olhado e valorizado por coisas exteriores a você, porém uma coisa é possível, que você fira todas as pessoas ao seu redor por elas não serem capazes de suprir toda essas carências emocionais.
         Veja como a paixão é caracterizada pela falta de consciência de si e do outro. Não existe amor que não inicie em uma decisão consciente de suas possibilidades, é por isso que no amor não existe medo, porque quem ama perde todo o receio de se envolver, de dar, pelo simples fato de que a pessoa que ama não cria expectativas, não dando lugar a frustrações. Quem ama acredita que o ato de amar é o grande privilégio, independente do que a pessoa amada vai dar em resposta. A pessoa que ama é livre, é capaz, é completa, porque está dando algo que lhe sobra e não algo que lhe falta. Porém, para que isso se torne uma realidade precisamos conhecer-nos e ultrapassar as nossas carências.
         Meu irmão, você precisa conhecer o amor e este está revelado em Jesus Cristo (Efésios 3:17 a 19). Conhecendo esse amor você saberá todas as medidas e possibilidades, pois ele excede todo entendimento humano corrompido por uma maneira de pensar capitalista, mercantilista, em que as pessoas se tornaram mercadorias e onde a paixão frágil e sem fundamento está presente nos relacionamentos. Sendo tomado pela consciência do amor de Cristo você será tomado pela compreensão de que você tem a plenitude do amor (Colossenses 2:9).
         Muitas pessoas acreditam que o problema do amor é encontrar alguém para amar, essa talvez seja a principal prova de que não entendeu o que é o amor. Pois o amor não está no outro, sendo algo que você não controla, mas está em você. Claro, que quando falamos em consciência estamos falando de conhecer, de entender, de avaliar verdadeiras possibilidades. Por isso, não estou dizendo que você deve se casar com qualquer pessoa ou com a primeira que lhe pedir em casamento. Existem outros princípios que devem ser avaliados como, por exemplo, o princípio do jugo desigual, avaliar a missão que a pessoa tem, ou mesmo seu projeto de vida etc.
         Agora, o que estou dizendo é que muitos maridos precisam decidir amar suas esposas, porque se casaram baseados em paixões e expectativas e agora estão frustrados pensando em divorciar e buscar outra pessoa para tentar saciar essas carências. Estou dizendo também que muitos relacionamentos entre jovens cristãos estão fadados ao fracasso pelo fato de serem firmados nos frágeis alicerces da paixão. Jovem, você pode amar ao seu amigo e à sua amiga com a mesma intensidade, porque amor não muda de amigo para mãe ou esposa, amor é um só, o amor de Deus. Se você decidir amar sua(seu) namorada(o), você provará as delícias do amor e saberá esperar a hora certa de aproveitar toda a intimidade de um casal.
         Entendam, a famosa química eu posso sentir com qualquer mulher e uma mulher com qualquer homem que se viu uma só vez. Porém, o amor verdadeiro de um marido ou uma esposa vai promover uma satisfação amorosa e sexual com uma intensidade incomparável. Um relacionamento sexual entre um casal que se ama é tomado de liberdade e só na liberdade eu posso encontrar a plenitude do prazer. Então jovem, aprenda a amar no seu relacionamento de namoro, assim você não vai defraudar, nem usar a pessoa para satisfazer suas carências, nem tampouco vai correr o risco de não se realizar, pelo contrário, você conhecerá a plenitude da realização em todas as áreas do seu relacionamento e quando se casar se tornará uma pessoa mais completa e realizada. Deus te abençõe!

RHONE GIULLIAN

O AMOR VENCE O PECADO

Parte 1 
Estamos vivendo tempos em que valores corrompidos têm se inserido na igreja, camuflados como sentimentos nobres ou naturais do ser humano. Nasce o desafio, muito mais que a necessidade, de que a nova geração cristã revele um pensamento crítico, consistente e, principalmente, transformador. Muitos dos pensamentos colocados por algumas igrejas em relação a temas como namoro, sexualidade e amor, são omissos ou estão carregados de medo, do desejo de controlar, de evitar constrangimentos e não de convicções ou compreensões seguras e embasadas sobre tais questões.
 Nesse sentido, percebemos a possibilidade de refletirmos um pouco sobre os princípios e valores que envolvem um relacionamento de namoro ou o compromisso entre um rapaz e uma moça na intenção de um casamento, seja qual for o nome que cada igreja ou cultura dá a esse relacionamento.
Ao entendermos os princípios, temos que compreender que a Bíblia nos diz que a Lei nos foi dada como uma sombra ou exemplo de coisas reais, plenas e verdadeiras que viriam em Cristo. Assim, o evangelho não é constituído de leis e regras, mas de princípios e valores. Um princípio não é uma regra fechada, estática e limitada, mas sim um conceito que nos instrui a observarmos cada situação de uma forma exclusiva, avaliando outros princípios como a motivação, o propósito de cada atitude, entre outros.
 Usaremos como exemplo um versículo da Bíblia que confunde muitos dos cristãos que buscam nas escrituras uma coletânea de regras e leis. Esse versículo está em I Coríntios 10:23: “todas as coisas são lícitas, mas nem todas me convém; todas as coisas são lícitas, mas nem todas edificam.”
 A grande questão agora é sabermos o que é e o que não é lícito, correto, permitido. Se todas as coisas são lícitas, como saber quando elas não edificam ou convém? Essa pergunta não se responde com argumentos simples ou regras estáticas como: não faça isso, não faça aquilo etc. Paulo inclusive critica esse evangelho em Colossenses, nos questionando o porque de nos submetermos às ordenanças e tradições como “não toques, não proves, não manuseies” sendo que morremos com Cristo.
Para entendermos o versículo 23 de I Cor. 10 é necessário recorrermos a um princípio que está no versículo seguinte: “Ninguém busque o proveito próprio
antes cada um o que é de outrem”.
 Aqui está o princípio que nos revela o que não edifica ou convém: tudo o que fazemos para o nosso proveito ou próprio interesse. Então, se entendermos este princípio e o levarmos para os nossos relacionamentos, com certeza não necessitaremos de regras ou leis para impedir as pessoas de serem feridas, usadas, abusadas ou enganadas.
A própria idéia de pecado não se resume no que podemos ou não fazer. Em Gálatas, no cap. 5 e versículo 14, Paulo nos diz que a lei se resume em um só princípio que é amar ao próximo como a ti mesmo. E em Romanos 13:8-10, o apóstolo explica como este princípio opera impedindo que o pecado tenha lugar.

Seguindo este entendimento podemos entender porque a atitude de comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, tomada pelo homem, deu origem ao pecado. O problema não foi o desejo de conhecer o bem e o mal, pois o Espírito de Deus nos é revelado como o Espírito do discernimento e só podemos discernir entre duas posições, o bem e o mal. Deus nunca pretendeu criar um homem que fosse alienado das questões do universo. Então, qual foi o pecado de Adão?
A essa pergunta poderíamos dar uma simples resposta: desobedecer a Deus. Porém, quando avaliamos os princípios de sua ação, descobrimos os princípios do pecado. Adão não errou em querer conhecer, mas em buscar algo que lhe faltava, buscar algo que satisfizesse sua carência.
O Diabo enganou ao homem embutindo em seu entendimento a idéia de que lhe faltava alguma coisa. Deus tinha abençoado sua criação e toda tarde se relacionava com o homem para lhe ensinar algo. Porém, o Diabo colocou a idéia de que Deus não tinha lhes dado algo, que algo lhes faltava, que eles estavam carentes, incompletos.
Então, conhecer todas as coisas era o propósito de Deus para o homem, porém é pecado tudo que nós buscamos fazer para suprir nossa compreensão de carência e falta. Tudo que não fazemos por convicção e fé torna-se pecado (Romanos 14:23).
Deus não fez um homem vazio que deveria buscar algo para ser igual a Deus, mas o criou à sua imagem e lhe abençoou dando-lhe toda capacidade necessária para seu desenvolvimento em todas as áreas. Quando o homem descumpriu a vontade de Deus, passou a ser dominado por sua cobiça, desejo carnal, concupiscência da carne. Agora, tudo que o homem faz é para alcançar algo que lhe falta, pois ele está separado de Deus e do Seu amor (Romanos 3:23).
 Então, toda vez que eu me relaciono com alguém em busca de satisfazer minhas carências ou necessidades cometo pecado. Muitas pessoas me dizem que estão procurando alguém para lhes tirar da solidão, ou que buscam alguém que lhes entenda, ou lhes ame, ou lhes façam felizes. Esse é o princípio de buscar algo que nos falta, de suprir nossas carências, então esse relacionamento está baseado no mesmo princípio que gerou o pecado.
O problema de um relacionamento baseado na carência é que este vai gerar expectativas e toda vez que isso acontece o resultado é frustração. A frustração não é causada por outra pessoa que falha conosco, isso é uma forma de tirarmos a responsabilidade de nossas costas. A verdade é que se eu me frustrei com alguém é porque o meu relacionamento com aquela pessoa foi baseado em pré-disposições, em interesses, e isso deveria por si só ser considerado errado. Deveria me relacionar não por expectativas, mas por convicções, ou seja, não esperando o que aquela pessoa pode fazer por mim, mas entendendo o que eu posso fazer por ela.
 Quando Deus decidiu criar o homem, sabia que se criasse um ser livre este iria se rebelar contra seu criador. Porém, o amor de Deus ofereceu sua graça, ofereceu algo que provinha de seu caráter, que é amor. Se Deus, sendo onisciente, sabia de nosso pecado, não nos criou com expectativas, mas providenciou do Seu amor uma atitude que nos transformaria. O Senhor não poderia receber nada do homem. Se o homem lhe oferecesse glória, amor, para Deus não faria diferença, pois Ele é a Glória e o Amor. Então, a única coisa que o homem fez foi ser o canal da expressão, foi ser o objeto do amor de Deus.
 Deus não fez o homem para amá-lo, mas fez o homem para amar e esse amor, sendo conhecido pelo homem, gera uma resposta de amor. Eu, conhecendo quem Deus é o que Ele fez, não tenho outra resposta a não ser amar a Deus.
Assim deveria ser nossa decisão de amar. A nossa motivação deveria ser a decisão consciente e plena de amar alguém, sem expectativas de receber algo em troca, mas simplesmente pelo privilégio de amar. Quando decidimos amar, estamos decidindo oferecer algo que Deus nos deu. Uma das características do fruto do Espírito é o amor e a Bíblia diz que o Espírito de Deus nos encheu do Seu amor (Romanos 5:5 e Gálatas 5:22).
Nesse sentido, um cristão não poderia jamais estar em busca de algo que lhe falta. Se na graça o Senhor nos encheu, nos deu da sua própria vida, agora estamos cheios de sua plenitude (Colossenses 2:10).
Então jovem, toda vez que eu tomo uma atitude de amar e nessa busca eu prejudico alguém para me beneficiar ou busco em um relacionamento a resolução de minhas carências o fruto disso será o pecado.
Se você quer procurar um relacionamento porque algo está lhe faltando e não pelo privilégio de amar, você vai pecar. Se entendermos que somos plenos de amor, não teremos outra opção a não ser procurar alguém para ser objeto não de nossas expectativas, mas de nosso amor. Assim, buscaremos não o nosso próprio bem, mas sim o de outro.
 Esses princípios no relacionamento respondem a muitas dúvidas como:
 - o beijo
Se ao beijar você está gerando um desejo sensual ao qual você, não sendo casado, não poderá suprir, está pecando, pois isso é defraudação.
Se o beijo é só uma expressão de carinho e não está gerando uma carência que só pode ser saciada na cama, então você não está pecando.
 - a relação sexual
A relação sexual é um privilégio que Deus nos deu para experimentarmos a intimidade na sua forma mais plena. Mas, o tempo dessa entrega é o casamento.
Quando nos casamos decidimos que aquela será a pessoa que estará ao nosso lado enquanto estivermos vivos. Assim, temos toda a liberdade de conhecermos em plenitude o outro. Fora do casamento estaremos promovendo no outro feridas e o risco de estarem se entregando a alguém que não lhes será o marido ou esposa. Então, fazendo assim, pecamos e as conseqüências são terríveis.
 Muitas são as perguntas e se conhecermos os princípios da Palavra poderemos responder a todas, porém vamos aos poucos. Em breve estaremos dando continuidade a este tema. Esteja atento e compartilhe com seus irmãos e, se necessário, mande suas dúvidas através da opção Fale Conosco no site.
  
RHONE GIULLIAN    PSICÓLOGO, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA ESCOLAR COM PROJETOS NA ÁREA DE EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA.

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É PROIBIDO SER VIRGEM!

Sou nascido na década de setenta, um tempo em que ainda era constrangedor moças jovens não se casarem virgens, não se via por aí mulheres celebrando quantos caras pegou, com quem dormiu, não se carregava as medalhas da vitória de ter tido diferentes parceiros. Naquele tempo a Psicanálise deitava e rolava na subjetividade coletiva com as idéias de repressão da pulsão, do id, da libido e tantas outras representações sobre as somatizações advindas das limitações e pudores sexuais.
Atualmente a psicanálise está tendo que se reinventar, vemos uma liberação da fala e da ação sexual que seriam impensadas a alguns séculos atrás. Se as repressões eram causa de doenças, agora o que nos parece são as exacerbaçõe. O pêndolo comportamental saiu de um extremo a outro e a população continua aprisionada na sua sexualidade.
Nunca antes se sofisticou tanto o sexo, nunca se viu tantos instrumentos, livros, cursos, teorias, mas o que não se vê é um amadurecimento sexual. Tem muita coisa cercando o prazer de uma pessoa determinando sua satisfação, a palavra certa, o cheiro certo, a roupa certa, senão nada feito. Outros estão limitados pelo prazer arriscado, perigoso, outros ainda pelos lugares, situações ou pessoas diferentes. As fantasias são inovações e limitações pra quem não consegue ter prazer para além delas. A tudo isso temos chamado de avanço, liberdade.
Nosso discurso mudou bastante do século XX para o XXI, a influência da década de 60 foi um divisor de águas e hoje temos tanta liberdade que muitas crianças sabem mais que os avós sobre o assunto. Estamos no tempo dos precoces, fala-se em liberdade sexual até para os antigamente denominados pré-adolescentes de 13 anos. Hoje depois dos 15, sem relação sexual, o indivíduo é considerado travado, é imaturo, inocente e muitos outros adjetivos.
Tudo isso parece muito contraditório, por que existe uma nova regra coordenando a sexualidade, tem novas proibições em pauta, tem novas vergonhas sexuais, censuras sociais, parece que só viramos a moeda, mas estamos adoecendo da mesma forma, a imaturidade continua.
Falar de liberdade sexual é considerar a pessoa ativa, pensante, instrumentalizada a decidir sua sexualidade, a enxergar os determinantes e influências e conscientemente decidir o seu viver sexual. Fala-se também de uma sexualidade que é livre de limites conceituais, que é para além do ato, do toque, que está em todo o desejo que nos move. Então liberdade sexual só se vive na maturidade almática, personológica, onde eu posso escolher não por pressões, mas por consciência, autoconhecimento, doação de quem dá o melhor de si sem se sentir vazio, mas satisfatoriamente preenchido.
Pra mim, o principal estandarte da falsa liberdade sexual que vivemos é a condenação da virgindade. Hoje a virgindade em adolescentes e jovens é sinônimo de problemas emocionais, de falta de consciência, e contraditoriamente a outros tempos, virgindade parece pecado. A escolha da virgindade é previamente condenada, não tem conversa, ta errado, é coisa de gente careta, de religioso puritano, de quem não sabe o que ta perdendo. Mas fica uma pergunta, estamos respeitando as escolhas, será que isso não é mais uma repressão social?
Falar de liberdade sexual é falar de escolhas conscientes, de vivencias refletidas, onde eu posso entender as motivações e as conseqüências. Onde eu posso saber a sexualidade não nas suas sofisticações, mas nas suas possibilidades e impossibilidades, sendo as limitações, aquelas que eu me faço a partir daquilo que entendo, que compreendo como bom, sempre respeitando a liberdade do outro. Sexualidade é liberdade individual, mas que não desconsidera outras pessoas. As possibilidades sexuais verdadeiras são aquelas que me trazem um prazer confiante, que me preenchem e não que me esvaziam. Que me dão o direito de dizer sim, mas também não. A liberdade é dada a quem quer vivenciar diferentes transas, mas também a quem quer sublimar desejos em benefício das pessoas, como por exemplo fazem alguns religiosos. A doença sexual não é do que restringe as suas vivências físicas, nem dos que as exarcebam, mas sim daqueles que não compreendem por que assim reagem, daqueles que são limitados pelo pensamento dos outros sem refletir criticamente sobre suas vontades.
Nesse sentido, quero exaltar aqueles que decidem conscientemente pela virgindade, não pela idéia de virtude da virgindade, mas pela coragem de encararem as proibições sociais sem sentido, por escolherem a partir de sonhos ou projetos de vida. Fiquem firmes, não tenham medo de testificarem sua opção, sejam livres para serem virgens ou não, sejam sujeitos para decidir sua sexualidade.

Rhone Giullian
Psicólogo especialista em Psicologia Escolar com projetos desenvolvidos na orientação sexual de crianças e adolescentes em escolas.

UMA PALMADA NA CONSCIÊNCIA

Muita polêmica foi gerada no Brasil depois do famoso projeto, lei da palmada, que propõe a extinção de castigos moderados na educação dos pais às crianças e adolescentes. Em si a lei é politicamente correta, quem seria ousado, ou louco, de questioná-la. Bem, mas a maioria da população brasileira rejeita tal idéia. E você o que pensa?
Não quero aqui questionar o conteúdo da lei, deixo isso pro leitor, o que quero é fazer uma avaliação mais ampla do processo que a envolve, pois o que parece é que o Brasil proíbe primeiro e educa depois.
O Estado Brasileiro tem muita semelhança com os pais brasileiros. Enquanto temos em grande parte dos lares, pais que falam de um monte de regras, proíbem um monte de coisas, mas não conseguem a obediência dos filhos e nem aplicar prometidas punições pelos erros cometidos, o Brasil é um país de uma extensa legislação, que não é muito cumprida e que, apesar de propor certas punições o que vemos é a ausências delas. Está muito comum a ausência dos pais na vida dos filhos, o mesmo acontece com o Estado. O sentimento tanto dos filhos quanto do povo brasileiro é de rejeição e desrespeito.
Então agora o Estado resolveu falar pro pai o que não se pode fazer. O problema é que nos temos uma nova geração de pais, alguns estão revoltados com o tratamento que receberam como filhos e agora não conseguem de maneira nenhuma colocar qualquer tipo de limites nos filhos e outros, justamente por terem sofrido bastante com a “ignorância” dos pais, repetem o modelo de agressividade. Esses pais estão em uma “crise de papéis”, estão perdidos e precisam, não de mais uma regra que lhes diga o que não se pode fazer, mas sim de orientação de como serem pais na pós-modernidade, onde tudo muda com tanta velocidade.
Sou psicólogo, especialista em educação, com experiência de 8 anos com crianças e adolescentes. Trabalho numa Associação em Aparecida de Goiânia (AVA), onde comecei um projeto de orientação para os pais dos jovens atendidos pelo projeto. São pais que estão envoltos no desespero, onde as políticas públicas existentes não são suficientes, que vêem e ouvem constantemente sobre a morte de tantos jovens na região, que vêem seus filhos sendo assediados por traficantes, que não sabem como desenvolver um diálogo com os filhos e a pergunta que fica é, será que é uma nova lei que vai transformar a forma desses pais educarem seus filhos? Que tipo de instrumentos os tão bem intencionado legisladores estão discutindo pra ajudar esses pais a conduzirem melhor a educação de seus filhos? Não tem problema criticarmos o errado, mas antes temos que ter o compromisso de ensinarmos o o que julgamos correto.
Parece que o Brasil prefere proibir pra depois conscientizar. Mas é assim que um bom governo de massa domina um povo, os impedindo de pensar, de aprender, de questionar, enfim de ser sujeito da sua ativo da sua história. É assim que de quando em vez, levamos UMA PALMADA NA CONSCIÊNCIA.
Rhone Giullian: Psicólogo com especialização na área escolar, consultor de empresas, membro do conselho da Associação Vida Abundante em Aparecida, pastor de jovens no Centro Mundial da Adoração e agora membro do Conselho Municipal de Ação Social de Aparecida.