Vivemos uma paranóia social, onde as barreiras de separação construídas por nós não são suficientes pra nos proteger dos riscos que contraditoriamente nosso estilo de vida construiu. Estamos aumentando os muros, eletrificando as cercas e estabelecendo os limites da nossa segurança, que é separar o “bom” do “ruim”, o “certo” do “errado”.
A expressão mais clara desta busca de segurança são os condomínios fechados, onde podemos gozar os frutos do nosso “sucesso”, do que é “bom”, em paz, sem que o “ruim” venha de alguma forma reclamar qualquer participação.
O conceito que poderia resumir a subjetividade desta sociedade pós-moderna é “não viva o compromisso, use a proteção”. Ou seja, a proteção comprada garante pra nós os prazeres sem a preocupação com o compromisso, de modo que eu gasto com a segurança pra não arcar com o compromisso de gerar oportunidades e desenvolvimento social, de forma que os muros e as cercas já não teriam sentido diante da transformação e da participação viabilizada.
Contradição.
O estilo de vida que busca a segurança pra viver tranqüilo o prazer é enganoso, por que na verdade nunca ficamos verdadeiramente em paz, sempre existe a possibilidade da cerca, do muro ou dos guardas falharem em proteger, por isso a paranóia de insegurança fica retroalimentada.
A Sexualidade
As relações interpessoais se dão nesse contexto de segurança para o prazer, e a sexualidade, como uma forma de relacionamento, fica envolvida nesta cosmovisão.
A sexualidade como construção social, cultural e histórica tomou caráter de produto, se coisificou em mercadoria do prazer individual e do comércio. Então este fenômeno humano, diferente dos animais pelo significado na consciência, passa a ser determinado pelo mercado, onde podemos pagar para vivenciar os prazeres personalizados sem preocupação nenhuma.
Se vivemos na cultura do individualismo, o compromisso com o outro é contra a cultura vigente, então a sexualidade segura fica estabelecida nos mesmos moldes do exemplo dos condomínios fechados, onde eu posso gozar o meu prazer na individualidade.
O Indivíduo e a Pessoa
Em meio a toda essa forma de pensamento, temos que buscar a verdade e a verdade é Cristo, e sua palavra o caminho para Ele. A Bíblia diz que Deus formou o humano e não o homem, o humano é o macho e a fêmea em relação, onde como a ciência já descobriu, o humano só se torna pleno no relacionamento com o outro. Sem o relacionamento social os aspectos da alma, como intelecto, afetividade e vontade não se desenvolvem, não podendo se tornar o humano na sua plenitude. A comunicação, o raciocínio, a memória, se dão a partir de significações construídas com o uso dos signos que compõem a linguagem e que são transmitidos nas relações com a cultura, se o homem fosse separado desde o nascimento e criado com animais, nós veríamos ali um humano na essência, mas não identificaríamos os aspectos da consciência que nos diferenciam dos animais.
Então isto mostra que Deus criou a pessoa, o ser relacional que só é o que é na relação, e não o indivíduo. O individuo nasce junto com a busca da privacidade, da separação, da diferenciação, tudo isso fruto do momento histórico promovido pelo mercado, de modo que aquilo que era compartilhado agora é individualizado, o que aproximava, agora separa. Meu quarto, minha televisão, meu computador que é diferente do seu, está em outro cômodo e por isso nos separa mais ainda.
Se Deus nos fez a imagem da sua semelhança, um ser relacional, então essa cultura vem destruir essa relação do macho e fêmea de modo que não expressem Deus. Tudo isso é anti-Deus, anti-Cristo, cultura demoníaca que deforma a sexualidade por meio do individualismo exacerbado. Somos pessoa, ser relacional e tudo que destrói essa identidade é doentio.
O Sexo Seguro
A ciência do mercado criou o sexo seguro, um mecanismo de proteção que lhe permite viver o prazer sem comprometimento. A sociedade Marketizou, personalizou e sofisticou o sexo, mas tirou-lhe a maturidade que é sinônimo do amor, a mais alta expressão do comprometimento com o outro. Novamente surge uma contradição, porque foi justamente a busca individual do prazer sem o comprometimento que produziu as doenças tão temidas, tanto as físicas, quanto as emocionais. Então as cercas de proteção não são só preservação física, mas também preservação do individualismo, proteção da condição de viver o “bom” sem a preocupação do “ruim” que neste caso é o compromisso. Esta postura agora nos compromete, porque vira medo que diminui o prazer e aumenta o receio, onde o agora é “bom” viver o prazer, mas o depois é “ruim” a angústia resultante.
O que é o Pecado?
Muito se fala nas igrejas sobre os pecados, tudo muito relacionado às quebras de regras e leis que pretensiosamente dizemos que são de Deus. A Bíblia diz em Colossenses 2:20-23 que isto nada pode contra os impulsos da carne, então não é criando leis que o vencemos, já que Paulo escrevendo as Romanos (3:20;5:20) deixa claro que a lei criou o pecado, então precisamos de um conceito claro do que é o pecado pra que tentando destruí-lo não acabemos por levantá-lo.
Paulo escrevendo a primeira carta aos Coríntios (10:23e24) deixa claro que o pecado não está na ilicitude da ação, pois tudo é permitido, está sim na busca do próprio bem, no priorizar-se. Nesse sentido ele na carta aos Gálatas (5:14) ele diz que a lei, a regra é uma só, ame o próximo, não o defraude, não proponha o que seu compromisso não sustenta, não faça nada que esteja em busca de satisfação dos interesses egoístas.
Assim, se sexo seguro é preservar-se, onde a preocupação maior é consigo mesmo, então é pecado. O preservativo, a cerca de defesa própria que levantamos pra nos proteger das doenças que nós mesmos criamos, é o símbolo maior do que as pessoas buscam: amor sem riscos. Risco de saúde, pois alguém pode estar contaminado e risco de arcarmos com compromissos futuros no caso de gravidez.
Esse instrumento social é tanto efeito como causa de um desejo extremo de vivermos prazeres egoístas sem nenhuma preocupação com o outro. A proporção é tanta que os programas televisivos incentivam as mulheres casadas a usarem o preservativo com seu próprio marido, e por quê? Por que ele, como tem muitas chances de falhar no compromisso com sua família, poderá adoecer tanto fisicamente quanto emocionalmente os seus.
O Verdadeiro Sexo Seguro é para os Cristãos
Sexo seguro é a vivência da sexualidade com compromisso. Um jovem que namora e não tem condições, ou não pretende assumir um compromisso de casamento e os possíveis frutos de uma relação mais íntima com sua namorada, pode praticar um Sexo Seguro. Exatamente isso, ele pode exercer todos os aspectos da sexualidade SEM QUE ISSO SIGNIFIQUE TRANSAR com ela. Ele estará vivenciando a sua condição sexual masculina na relação com uma moça que também tem uma condição sexual feminina, onde toda sua expressão é sexual por natureza e plena, porém, só farão aquilo que o compromisso de abençoar um ao outro permitir.
Se na sua relação ele ou ela geram um no outro, desejos que não podem suprir por não estarem nesta condição, eles estarão se defraudando, nesse sentido, não estão buscando o bem do companheiro, mas sim pecando contra ele.
Então quando buscamos nosso prazer pessoal, fora dos limites da nossa condição de um compromisso, pecamos. Por isso defraudar o outro, conhecê-lo na intimidade fora do casamento, masturbar-se, tudo isso é pecado.
O sexo só é seguro quando não é pecado, quando está tomado de compromisso com o outro, quando busca privilegiar o bem daquele que amamos. Amar ao outro é amarmo-nos, ninguém ama outra pessoa se não si ama. Quem se ama, não vive de carências tentando tapar os buracos da alma utilizando o outro como objeto, quem se ama, crê que foi feito pra ser doação, dádiva, canal de bênçãos na vida do outro.
A Sexualidade é Imagem de Atributos Divinos
Fomos criados na nossa condição sexual macho e fêmea, revelando aspectos divinos nesta condição. Veja o gerar de uma mulher, revela como imagem visível os aspectos geradores do Espírito Santo. A capacidade de semear do homem revela as sementes que Deus lança em sua noiva, a igreja. Assim, o abraçar, o beijar, o êxtase, o prazer são virtudes reveladas na sexualidade como instrumento pedagógico de Deus para comunicarmos seu caráter.
Quem não sentirá um êxtase ao se deparar com a gloriosa presença de Deus que é simbolizada no livro de cantares pelo Noivo, o Cristo e a Noiva, a igreja. Quem não correrá para os braços do amado no glorioso dia da sua vinda. Quem não sentirá dores de amor, as vezes forte como a morte, pelo Cristo tão esperado.
Nesse sentido, os aspectos físicos e visíveis são apenas instrumentos que revelam os aspectos invisíveis de Deus. Ele não precisa de nada físico pra produzir tudo o que falamos acima em nós, assim como nós não precisamos de aspectos visíveis como braços para abraçar, não precisamos de útero pra gerar, não precisamos de pênis pra semear. Podemos semar amor, fé, desafio, ânimo, compromisso, podemos gerar as pequenas sementes de sonhos das pessoas ao nosso redor. Podemos abraçar com palavras e atitudes que acalentam, consolam, podemos promover um prazer incontável nas pessoas quando nos dispomos a comprometer-nos com seus desafios pessoais, sonhos e projetos.
Enfim, podemos viver plenamente sexualidade, porque toda ação de um homem que é macho e de uma mulher que é fêmea é expressão de sua sexualidade, mas não de sua sensualidade. O diabo encheu a mente de homens e mulheres de sensualidade, de forma que muitos buscam abraçar, semear, gerar só de forma física, sensual e pecaminosa. Mas Deus nos revelou que a verdadeira sexualidade é a capacidade de exercer as virtudes masculinas e femininas na vida um do outro sem sensualidade e de forma comprometida.
Sexo seguro então se revela, quando um jovem semeia sonhos e uma jovem ajuda a trazer corpo a este sonho ou quando um homem ao namorar uma mulher sabe que só vai tocá-la de uma forma mais íntima depois de priorizar o compromisso do casamento. Sexo seguro é o marido que nunca deixaria de viver os prazeres íntimos com sua esposa pra evolver-se com outra, destruindo o compromisso com a família ou produzindo desejos em uma outra mulher que ele não poderia, ou pelo menos não deveria suprir.
Sexo seguro é compromisso. Sexo seguro é vida. Sexo seguro é doação pelo outro. Sexo seguro é a sexualidade pura destituída da sensualidade do individualismo do pecado. Sexo seguro é para nós os verdadeiros cristãos.