Paulo Coelho - site da Globo dia 11/02/2011
“Certos discípulos vivem me perguntando onde está a verdade”, disse Maal-El. “Então, certo dia, resolvi apontar para uma direção qualquer, tentando mostrar que o importante é percorrer um caminho, e não ficar pensando sobre ele”.
“Ao invés de olhar para a direção que eu apontava, os discípulos começaram a examinar meu dedo, tentando descobrir onde a verdade estava escondida”.
“Quando as pessoas procuram um mestre, deviam estar em busca de experiências que possam ajudá-las a evitar certos obstáculos. Mas, infelizmente, a realidade é outra: estão usando a lei do menor esforço, tentando encontrar respostas para tudo.”
“Quem deseja beneficiar-se do esforço do mestre para poupar suas forças, nunca chegará a lugar nenhum, e acabará por decepcionar-se.”
- PRIMEIRA QUESTÃO QUE PENSO DIFERENTE DO AUTOR (RESPEITANDO CLARO SUAS IDÉIAS) - Tão importante quanto percorrer um caminho é pensar sobre ele, avaliar a experiência em todos os aspectos é que me faz um conhecedor. Muitas pessoas só aprendem a repetir experiências e nunca tiram as lições mais importantes quem vem da avaliação profunda do processo, assim eu posso ampliar as possibilidades e as vezes perceber que o melhor é fazer tudo diferente.
- SEGUNDA QUESTÃO - Um cego pode guiar outro cego? Baseado na primeira frase vejo que a idéia colocada implicitamente propõe a integridade inquestionável do mestre. O mundo é o que é por não se avaliarem os dedos que apontam caminhos. Ah, se tivessem avaliado os dedos e os caminhos de Hitler na sua ganância etnocentrista, os dedos de Bush na sua busca megalomaníaca de poder e tantos outros homens que só querem seguidores passivos.
- TERCEIRA QUESTÃO - Quando eu sento pra ouvir alguém que eu considero um mestre, eu não só quero ouvir como não cair no buraco em um certo caminho que ele percorreu, mas principalmente se aquele mestre sabe como observar buracos em qualquer caminho, mesmo os que ele nunca conheceu. Também se ele sabe aproveitar grandes buracos, pois em um tiroteio de guerra um buraco pode ser uma proteção de balas. Somente assim eu poderia dizer se aquele é um verdadeiro mestre.
- ÚLTIMA QUESTÃO - É verdade que o discípulo que quer poupar forças não vai longe, cabe também ao mestre saber corrigi-lo. Mas o discípulo que busca aprender caminhos que evitem transtornos pode também estar guardando forças pra utilizá-la na hora exata, e talvez a hora exata vai ser o ponto em que o mestre não chegou ainda, lá se ele for um bom discípulo, terá que usar muita energia pra a partir dos ensinos, como referência e não modelo único, encontrar caminhos novos que o levem além dos seus mestres.