segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Adoção, o que isso tem haver com Deus?

Paulo fala de adoção inserido num contexto romano, que dentre os tipos de adoção vigentes considerava a possibilidade de adotar uma pessoa com toda a sua família e bens. Quando este tipo de adoção acontecia, o adotado deixava, absolutamente, de ser filho do antigo pai e de ser da antiga família, era totalmente anulada a anterior estirpe, sendo agora ligado por linhagem (Agnata) à paternidade do adotante. A Família dos Romanos funcionava da seguinte maneira, o patriarca (Paterfamilias) era autoridade sob quem estavam toda uma geração, herdeiros de seu nome, linhagem e bens. Esse Pai era (Dominus) senhor e dono, governava com autoridade (Potestas) sobre sua geração e todos os bens. Neste contexto amplo de conceitos de adoção do direito Romano, existia também, a possibilidade de adotar o estrangeiro e este ser cidadão por filiação, podendo inclusive, se for da família do imperador, vir a ascender ao trono recebendo-o como herança.


Assim, quando Paulo fala em Romanos 8 ou Gálatas 4 sobre adoção, ele está falando de algo poderoso, que assustaria todas as teologias humanistas e todo conceito já elaborado por todas as religiões. Deus faria isso que Paulo disse que ele fez?


Se Deus adotasse uma pessoa (segundo o que o Paulo disse, baseado no contexto histórico-cultural que vivia), então esta pessoa teria toda a ascendência humana negada desde o primeiro homem, e toda a herança humana do passado deixaria de existir, então maldições, de Adão até os pais da pessoa adotada, não teriam sobre ela efeito algum. A herança que essa pessoa receberia seria a própria herança de Deus, a mesma de um filho como Jesus. Será que isso não é absurdo?

Se essa adoção fosse possível, está pessoa teria todos os seus bens sob o domínio do adotante, o próprio Deus, e tudo o que o adotante tem como herança, o filho adotado teria direito, isso não é presunção?


Bem, se o adotado fosse estrangeiro, e é claro, nós que somos terrenos somos estrangeiros em relação ao céu, ele teria sua natalidade modificada, ele deixaria de ser reconhecido como estrangeiro e seria agora cidadão legítimo do céu. Isso Beira a loucura!


Mas, parece que o Paulo queria mesmo é defender isso, então ele disse, as coisas loucas são sabedoria de Deus, porque parece que o Deus de Paulo escolheu as coisas que não são (possíveis no nossa compreensão humana), para confundir as que (aparentemente) são.


Acho que estou ficando louco, igual ao Paulo.

Acho que os Deuses que me oferecem as religiões são tão comuns. E você, o que tá pensando do Paulo?


Por Rhone Giullian rhonepsico.blogspot.com

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