Quero falar sobre algo que contribui muito para a dificuldade na relação com Deus, a Projeção que fazemos do nosso pai na pessoa de Deus.
Todos sabem que Deus é Pai, ele é assim reconhecido por Jesus e por seus apóstolos. Na oração que Jesus ensinou ele inicia dizendo que nós deveríamos orar chamando Deus de Pai. Assim Jesus estabelece o que Deus é na nossa vida, nosso Pai celestial.
Bem, para Freud e outros de seus seguidores, Deus é uma criação da mente humana que “projeta fortes desejos e necessidades internas e que a ideia de um “super-homem idealizado dos céus” é algo infantil e “o mundo não é uma creche”. (Armand M. Nicholi Jr. no Livro: Deus em Questão C.S.Lewis e Freud).
Para eles Deus é projeção, criação da nossa mente na necessidade de um super-pai, mas o que parece é que os ateus, justamente por projetarem a pessoa do pai em Deus, ficam revoltados com Ele e tentam negá-lo para poderem manter uma certa paz, já que se Deus Pai é como o pai deles, então Deus é um problema sério para a nossa vida.
Projeção é quando atribuímos a algo fora de nós algo que está dentro de nós, sentimentos, intenções e características pessoais que se nós às reconhecêssemos como nossa, sofreríamos angústia. Então para expressarmos tais questões pessoais que mantemos escondidas no nosso inconsciente, projetamo-las exteriormente para lidarmos com elas conscientemente e sem sofrimento. Assim, se somos invejosos e não queremos enxergar isso, projetamos nos outros esse sentimento, de forma que vamos vendo as pessoas ao nosso redor como invejosas.
A Bíblia em Romanos 2:1 fala que quando julgamos estamos nos condenando porque praticamos as mesmas coisas que condenamos. Isso é projeção, coisas que são questões mal resolvidas na nossa vida, que questionamos nos outros, mas que é uma situação que não queremos ver dentro de nós.
Nesse sentido, muitas pessoas que não chegam a negar a Deus, que se relacionam com ele na igreja e desenvolvem um certo nível de vida espiritual, podem ter um sério comprometimento nessa relação por projetarem os referenciais de paternidade, pai, padrasto, cuidadores, etc., em Deus, o que faz com que Deus carregue as características que internalizamos desses pais, tudo isso de forma inconsciente.
Assim, Deus é uma entidade cheia de falhas, humanamente corrompida, que falha conosco, que não cumpre sua palavra, que trai, agride, ou qualquer atitude negativa que nosso pai humano pôde ter em relação a nós.
Bem, cabe a nós julgarmos a nós mesmos, será que não temos percebido Deus Pai a partir do nosso referencial paterno equivocado? Será que por não suportarmos pensar que um pai, visto a partir daquilo que pensamos de pai, é todo poderoso e tem poder sobre nossa vida, e por isso queremos negar sua existência tentando não nos ver a mercê Dele?
Negar a Deus não o fará deixar de existir, nem crer na sua existência o fará existir, mas negá-lo por projetar nele suas decepções relacionais com referenciais de paternidade, é perder o privilégio de conhece-lo como Pai perfeito, que é amor, que não muda, que jamais rejeitará seus filhos. Não ter intimidade de filho para com o Pai celestial, por julgá-lo a partir de nossas experiências com referenciais paternais, é não viver uma vida plena (João 10), sem limites, que te levará além do que jamais você sonhou.
Fale com Deus sobre sua referência paternal, e encontre nele o Pai eterno, que vai curar plenamente sua vida.
Que você aceite a paternidade de Deus e seja verdadeiramente livre.
Por Rhone Giullian Rhonepsico.blogspot.com
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