segunda-feira, 18 de julho de 2011

CBF, Futebol, Brasileiro e Igreja: Diferente semelhança.



Estamos comemorando ou chorando? Tivemos o melhor jogo da seleção desde a copa de 2010, mas fomos ridiculamente desclassificados, e sorrisos argentinos pra todo lado, tipo quem ri por último ri melhor nos remonta ao passado inglório recente. Temos também o melhor momento da igreja em termos de tamanho e um ridículo testemunho moral na nação brasileira. Apesar de diferentes, essas instituições, igreja brasileira e seleção brasileira tem lá suas semelhanças, então vejamos algumas:
O pessoal tá falando que os jovens Ganso e Neymar não jogaram o que poderiam, que vão amadurecer. Questão é que muitos diziam que esses dois seriam a solução pro Brasil na Copa de 2010.
- O Brasil prioriza o talento e não o preparo e promove na mesma medida que destrói.
A igreja às vezes age de igual forma, valoriza e põe grandes expectativas nos talentos e nas capacidades, mas não enxerga nenhum processo em volta e se esse talento falhar, o abandonamos e o diabolizamos.
O público está também dizendo que o problema é que não damos continuidade aos processos e que promovemos um retrocessos nos projetos que estão sendo desenvolvidos, temos que dar mais chances e corrigir os erros, na palavra do próprio mano menezes não podemos desconsiderar tudo com se tudo estivesse errado. Que pena que o último técnico, que teve sucesso em todas as três competições antes da copa (Campeão da Copa América, da Copa das confederações e primeiro nas eliminatórias pra Copa do mundo), não tenha tido a oportunidade de corrigir os erros.
- A seleção brasileira sempre encontra alguém pra crucificar e não constitui projetos a longo prazo.
A igreja algumas vezes reage da mesma forma, quando surge algo novo, que parece que vai certo, abandona todo o resto, e se o novo não funcionar parte-se em busca de algo que pareça que vai funcionar.
O Ricardo Teixeira é o dono da Seleção Brasileira. Então, se a seleção é dele, ele faz o que quer, e quem lhe agrada faz sucesso, mas quem discordar dele, nunca mais terá chances. Ele decide aquilo que lhe traz benefícios pessoais.
- A seleção tem dono e cartilha do dono e este não pode ser questionado.
Muitas igrejas funcionam assim, o dono manda, quem quiser ficar dentro da igreja que aceite, quem puxar saco, apoiar, concordar, aceitar cresce, quem pensa diferente que procure sua turma em outro lugar, até a teologia e as pregações são pra justificar e perpetuar a dominação.
O povo sempre acusa os jogadores de vaidosos, marqueteiros, preocupados consigo mesmo, mas são os primeiros a incentivar com assédio idólatra, investindo muito dinheiro nos produtos e notícias e cobrando a exposição dos jogadores. Quando um técnico busca privacidade é criticado, se expõe é vaidoso.
- O povo precisa de aparência, mas não sabe lidar com a responsabilidade e privacidade.
A igreja também às vezes tem suas vítimas, os super’s pastores, tem que ter aparência de santidade, de humildade, mas se for muito discreto não é ninguém, e se não tiver sucesso aparente, tá descartado.
Dizem que no Brasil, se a seleção ganha a Copa do Mundo os políticos podem aprontar que ninguém presta atenção.
- O povo brasileiro sendo bem entretido e beneficiado, o resto não interessa.
A igreja quer alguém que lhes satisfaça as expectativas individuais através dos dons e habilidades, se isso significar fingir de cego e surdo pra outras coisas, tudo bem.
Bem, acho que precisamos amadurecer, acabando com a existência de um dono com poderes absolutos, da valorização dos resultados independente da qualidade dos processos, da busca dos interesses pessoais em detrimento dos coletivos, dos abandonos e substituições sem uma avaliação plena do que já existe, das valorizações da aparência e não do fundamento e da intromissão curiosa promotora da necessidade de produção de uma imagem que supra as expectativas do povo. Isso serve pro povo, pra seleção e para as igrejas.
Por Rhone Giullian

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