quarta-feira, 13 de abril de 2011

Igreja visível e invisível

O visível é aquilo que pode ser compreendido pelos sentidos. Tato, olfato, paladar, visão e audição. O contado com o visível é apreendido e interpretado pela rede de significações e sentidos humanos, o que faz com que a partir da experiência com o visível tenhamos uma nova experiência subjetiva que nos faz compreender de determinada forma o que os nossos sentidos captam. Então o sentido real das coisas é um absoluto que não compreendemos plenamente, mas vamos nos aproximando cada vez mais do conhecimento pleno a partir de contatos e reflexões constantes.

Esse processo de elaboração subjetiva é que da forma a nossa compreensão do visível, de forma que é invisível a amplitude da compreensão, é invisível a interpretação, mas tudo isso volta a ser visível através da manifestação comportamental de nossa atitude fruto da reflexão produzida.

A igreja brasileira como produto visível de nossa história é discreta e às vezes omissa no decorrer do tempo. Isso se faz verdade porque é discreta e omissa em refletir, em discutir, em questionar, em propor caminhos criativos e transformadores. É discreta e omissa por que não pensa. É expressão passiva da cultura colonial brasileira que valoriza a aristocracia, o poder percebido como imperial, que não pode, a seu ver, ser questionado.

Precisamos compreender a igreja invisível, num processo onde o contraditório não seja evitado, onde a verdade seja absoluta, mas que não a conhecendo no seu absoluto, se aproxima e amplia o olhar, reconhecendo que conhecemos em parte, mas buscamos conhecer assim como é.

Abstrair o multideterminado, complexo e dinâmico movimento do saber, que toma corpo e sentido à medida que encontra uma base, que lhe permite acomodar e se reorganizar como conhecimento estruturado, não em rígidas estruturas, mas em firmes convicções. Certezas que se transformam qualitativamente no desempenho contínuo do diálogo pra ser mais verdade, sem se desfazer na sua identidade, mas que acompanhe as evoluções históricas e continue compreensível. Transformar a igreja subjetiva e expressá-la de forma a ser relevante pra esse tempo.

A igreja invisível pode ser a mais revolucionária, ou a mais antiquada, isso depende da nossa disposição de pensar. A igreja invisível tem que se aproximar da igreja espiritual revelada pelo Espírito Santo, que é dinâmico como o vento sem perder a sua essência. Só assim a igreja real será verdadeira. Que Deus nos guie até ela.

Rhone Giullian

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